Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 27/08/2020
Segundo Serge Latouche, economista e filósofo francês, o crescimento desenfreado e desproporcional do consumo, das atividades produtivas e da população na segunda metade do século XX acendeu o sinal de alerta sobre o futuro e a conservação da vida no planeta Terra. Nesse contexto, torna-se notório a busca pela diminuição dos impactos ambientais antrópicos. Porém, quando o problema está relacionado à mobilidade urbana, traz consigo desafios analíticos correlatos, como o aumento da frotas de veículos devido à estrutura política e processos ideológicos, e a dificuldade de implantação de novos métodos de locomoção.
Primeiramente, o rápido aumento do número de carros no Brasil não é apenas resultado da má qualidade do transporte público, mas também da ascensão de uma sociedade baseada no consumismo. A assertiva de Zygmunt Bauman, “consumo, logo existo”, demonstra que, na sociedade pós-moderna, a vida é o consumo. Evidencia-se que, no sistema de produção capitalista, a obtenção de um veículo motorizado possui uma representação ideológica de poder, impulsionando, assim, as compras.
Em segundo lugar, embora a atual constituição enfatize a necessidade das comunidades e principalmente do poder público manterem um meio ambiente ecologicamente equilibrado, hoje isso não é uma realidade no país. Ao contrário da Carta Magna, promulgada em 1988, o estado não possui medidas que afetem o uso de meios alternativos de transporte (como bicicletas). Portanto, é importante ter um melhor desempenho do governo em relação às ciclovias nas grandes cidades, e uma manutenção mais eficaz dos ônibus que circulam na cidade.
De acordo com os fatos mencionados, visando diminuir a circulação de carros e aumentar a utilização dos transportes públicos, como também das bicicletas, é mister que o estado deve, na atuação do Ministério dos Transportes (MT) assegurar um maior número de ônibus nas capitais (mantendo sempre o custo da passagem acessível a todos), além de aumentar o número de ciclovias e sinalizações nas ruas.