Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 31/08/2020
Segundo Serge Latouche, economista e filósofo francês, o crescimento desenfreado e desproporcional do consumo, das atividades produtivas e da população na segunda metade do século XX acendeu o sinal de alerta sobre o futuro e a conservação da vida no planeta Terra. Nesse contexto, torna-se notório a busca pela diminuição dos impactos ambientais antrópicos. Todavia, quando a questão relaciona-se com a mobilidade urbana apresenta desafios relevantes de análise, como o aumento da frota de veículos decorrente de um processo político-estrutural e ideológico, bem como a dificuldade de implementar novos métodos de locomoção.
Sobretudo, o crescimento exacerbado do número de carros no Brasil é consequência não somente da má qualidade do transporte público, mas também de uma ascensão social que se baseia no consumismo. A assertiva de Zygmunt Bauman, “consumo, logo existo”, demonstra que, na sociedade pós-moderna, a condição indispensável à vida é o consumo. Ao tomar como norte a linha de raciocínio do sociólogo, evidencia-se que, no sistema de produção capitalista, a obtenção de um veículo motorizado possui uma representação ideológica de poder, impulsionando, assim, as compras. Some-se a isso, as precárias condições dos ônibus brasileiros corroboram com a situação e propiciam o aumento da emissão de gases poluentes na atmosfera, tal fato vai de encontro ao ideal de uma sociedade sustentável.
Outrossim, a negligência estatal no que diz respeito ao deslocamento com menor impacto ambiental configura-se como uma problemática. E, embora a Constituição vigente evidencie a necessidade de manter um meio ambiente ecologicamente equilibrado por parte da coletividade e, sobretudo, do Poder Público, hodiernamente, isso não é uma realidade no país. Contrariando a Carta Magna, promulgada em 1988, o Estado não elabora medidas que influenciam o uso de transportes alternativos, por exemplo, a bicicleta. Dessa forma, mostra-se importante uma melhor atuação governamental em relação às ciclovias das grandes metrópoles e a manutenção dos ônibus que circulam pelas cidades.
Destarte, depreende-se que esses desafios necessitam da intervenção civil e estatal. Sendo assim, visando diminuir a circulação de carros e aumentar a utilização dos transportes públicos, como também das bicicletas, o Estado deve, na atuação do Ministério dos Transportes (MT) assegurar um maior número de ônibus nas capitais em parceria com as empresas desses veículos, mantendo sempre o custo da passagem acessível a todos, além de aumentar o número de ciclovias e sinalizações nas ruas, na tentativa de garantir a segurança dos ciclistas e incentivar o uso das bicicletas no cotidiano da população.