Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 16/10/2020

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), os brasileiros têm mais bicicletas do que carros, são 50 milhões de bikes contra 41 milhões de carros. No entanto, apenas 7% utilizam a bicicleta como meio de transporte principal, em decorrência da falta de investimentos em infraestrutura para a criação de ciclovias e pelo sucateamento das vias públicas brasileiras, tornando-se um desafio à mobilidade urbana de baixo impacto ambiental.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a ausência de capital investido na construção de ciclovias. Nesse sentido, a filósofa alemã Hannah Arendt defende que o espaço público seja preservado para que se assegurem as condições da prática da liberdade e da manutenção da cidadania. Ou seja, sem uma infraestrutura pública, o cidadão é prejudicado. Esse aspecto está presente de maneira decisiva no que tange aos desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental, uma vez que há falta de investimento governamental no levantamento de ciclovias e ciclofaixas, o que acaba por dificultar a implantação dessa mobilidade urbana menos nociva ao meio ambiente.

Além disso, as dificuldades da locomobilidade citadina de baixa destruição ambiental encontra terreno fértil no sucateamento das vias públicas brasileiras. De acordo como os dados do Tesouro Nacional, atualmente o investimento em infraestrutura é baixo, e configura-se como o menor em 10 anos. No entanto, sem estrutura não há como atuar na questão da mobilidade urbana de menos danosa ao ambiente, dificultada pelo sucateamento das vias públicas no Brasil, que se encontra de forma precária. Assim, a priorização do dinheiro público em outros setores ou demandas atua como forte empecilho na resolução do problema.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Faz-se necessário, portanto, que os Governos Estaduais, em parceria com as Prefeituras, passem a focalizar o investimento em infraestrutura para questões urgentes, como a mobilidade urbana de baixo impacto ambiental. Havendo este maior direcionamento de verba, a infraestrutura do espaço público pode ser melhorada e, consequentemente, a qualidade de vida dos cidadãos ao usufruírem mais do espaço público para realizar suas atividades. Dessa forma, espera-se promover a construção de uma sociedade melhor.