Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 23/10/2020

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica aplicada ( IPEA ), os brasileiros têm mais bicicletas do que carros, são 50 milhões de bikes contra 41 milhões de carros. No entanto, apenas 7% utilizam a bicicleta como meio de transporte principal. Observa-se então a presença de problemas de contornos graves, em virtude da falta de investimentos em infraestrutura para a criação de ciclovias e pelo sucateamento das vias públicas brasileiras.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a ausência de capital investindo na construção de ciclovias. Nesse sentido, a filósofa alemã Hannah Arendt defende que o espaço público seja preservado para que se assegurem as condições da prática da liberdade e da manutenção da cidadania. Ou seja, sem uma infraestrutura pública, o cidadão é prejudicado. Esse aspecto está presente de maneira decisiva no que tange ao desafio à mobilidade urbana de baixo impacto ambiental, uma vez que a falta de investimento governamental na construção de ciclovias e ciclofaixas  dificulta o desenvolvimento dessa mobilidade urbana menos nociva ao meio ambiente.

Além disso, as dificuldades à locomobilidade citadina de baixa destruição ambiental encontra terreno fértil no sucateamento das vias públicas brasileiras. De acordo com os dados do Tesouro Nacional, atualmente o investimento em infraestrutura é baixo, e configura-se como o menor em 10 anos. No entanto, sem infraestrutura não há como atuar na questão da mobilidade urbana menos danosa ao ambiente, dificultada pelo sucateamento das vias públicas no Brasil. Assim, a priorização do dinheiro público em outros setores ou demandas atua como forte empecilho na resolução do problema uma vez que sem o devido investimento necessário para melhoria das vias públicas, o uso de meios de transportes menos poluentes, como as bicicletas, torna-se ainda menor.

Logo, torna-se evidente as dificuldades encontradas no desenvolvimento da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental. Assim, faz-se necessário, portanto, que os Governos Estaduais em parceria com as Prefeituras, passem a focalizar o investimento em infraestrutura para questões urgentes, como a locomobilidade citadina de baixo impacto ambiental. Assim, com esta focalização de verba, a infraestrutura do espaço público pode ser melhorada e, consequentemente , a qualidade de vida dos cidadãos ao usufruírem mais do espaço público para realizar suas atividades diárias. Dessa forma, espera-se promover a construção de uma sociedade melhor.