Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 24/11/2020
De acordo com o artigo 5° da Constituição Federal de 1988, todos os cidadãos têm o direito à locomoção. No entanto, com a piora dos problemas ambientais e com o aumento da população brasileira, tornou-se evidente uma necessidade: a instituição da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental, a partir da resolução de seus desafios de implementação. Assim, faz-se fundamental a análise acerca do rodoviarismo do Brasil, assim como da mentalidade dos motoristas que ainda não implementaram a sustentabilidade em suas vidas.
Em primeira instância, é fato que o principal modo de deslocamento no país é por meio das rodovias. Isso é consequência do governo de Juscelino Kubitschek, momento em que várias medidas modernizadoras foram criadas e, entre elas, estava o investimento na indústria automobilística e na construção de estradas. Dessa forma, como herança desse tempo, ficou no imaginário da maior parte dos brasileiros da atualidade o pensamento de que ter carros é sinal de modernidade e de bom poder aquisitivo, o que faz com que eles passem a evitar ao máximo usar transportes públicos e outros modos de locomoção de baixo impacto ambiental, como andar de bicicleta ou caminhar.
Ademais, há outro desafio para a sustentabilidade locomotiva: a resistência de uma porcentagem dos motoristas, que, apesar de concordarem que é preciso uma mudança, não fazem nada a respeito. Sendo assim, muitos acreditam que o Estado e outras instituições têm de resolver esse problema, preferindo continuar suas vidas do mesmo modo de antes, sem pensarem nas questões ambientais a longo prazo. Isso se articula com o que Lilia Schwarcz chama de “imprevisto salvador”, que diz que o povo brasileiro está sempre à espera da sorte ou de um milagre para resolver uma situação, o que o torna uma população sem disciplina para construir soluções para o futuro.
É necessário, portanto, medidas para efetivar a mobilidade urbana de baixo impacto ambiental no Brasil. Assim, as redes televisivas, principalmente as de maior alcance nacional, devem produzir propagandas que mostrem a importância da locomoção sustentável, por meio da contratação de estudiosos do assunto que tragam informações sobre o quanto o meio ambiente está prejudicado em decorrência da mobilidade urbana, com a finalidade de que a população reconheça que é responsável pelo que acontece com a natureza e com o país. Além disso, os governos municipais, junto com as escolas, devem organizar palestras nos colégios sobre os benefícios da sustentabilidade na mobilidade urbana, mediante a participação de professores de geografia e de biologia, a fim de que as crianças se tornem adultos que sabem a importância de preservar o meio ambiente. Logo, com essas medidas, o Brasil estará auxiliando na proteção da natureza.