Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 30/11/2020

Segundo o inciso XV do artigo 5 da Constituição Federal brasileira, de 1988, é dever do Estado assegurar o direito de ir e vir a qualquer cidadão. Nesse sentido, é pertinente que os meios utilizados para garantir esse direito sejam sustentáveis. Contudo, fatores como a falta de investimento estatal acerca da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental e a escassez de consciência dos cidadãos referente à utilização de transportes insustentáveis, colaboram para que o deslocamento nas cidades agrida o meio ambiente.

Em primeira análise, urge pautar que a falta de investimento do Estado no setor mobilístico sustentável colabora para a degradação da natureza. Nessa perspectiva, o desenvolvimento das cidades foi marcado pelo planos de metas instituído no governo de Juscelino Kubitschek, em 1956, visto que a estratégia do ex-presidente em privilegiar as rodovias em detrimento das ferrovias foi bem vista pela maioria dos brasileiros. Dessa maneira, investir apenas em rodovias é não pensar ecologicamente, pois o uso de automóveis corrobora para melhoria da economia local, mas a longo prazo, fomenta o aquecimento global, a poluição das cidades, o aumento do tráfego e a má qualidade de vida da sociedade brasileira.

Ademais, é necessário salientar a falta de consciência dos cidadãos em usufruir veículos insustentáveis, isso por conta da má qualidade dos transportes públicos e pela monotonia de meios locomotivos sustentáveis. Nesse viés, uma pesquisa feita pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), em 2016, afirma que a frota de automóveis no Brasil aumentou 400% nos últimos 10 anos, o estudo aborda também a satisfação das pessoas sobre o transporte público de sua cidade, que na maioria das vezes é considerada ruim ou péssima. Desse modo, a utilização do transporte individual gera um quadro crítico na mobilidade urbana do país, posto que este oferece o estilo de vida prático, porém causa danos prejudiciais à natureza.

Portanto, para que as gerações futuras passem a usufruir de um sistema de transporte inteligente e sustentável, medidas devem ser tomadas. Assim, o Governo Federal deve criar um planejamento mobilístico, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, instituindo a criação de ciclovias nacionais e a estruturação das ferrovias federais, a fim de estimular a locomoção sustentável. Outrossim, as Secretarias de Transporte estaduais devem iniciar um projeto, por intermédio de decretos, instituído o pagamento de tarifas de metrô e ônibus feitas por garrafinhas plásticas, com finalidade de incentivar os cidadãos a utilizarem o transporte público e praticar a gestão de resíduos. Com essas medidas, espera-se que a mobilidade urbana tenha baixo impacto ambiental.