Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 03/12/2020
Avenidas congestionadas. Taxímetros de alto custo. Ar poluído. Enorme tempo para deslocamento. Mediante a habitação das grandes cidades, tais sentenças passam a fazer parte do dia-a-dia civil. Nesse sentido, os modos de locomoção alternativos cunham-se uma alternativa não só para o entrave viário, como também para os impasses ambientais nacionais. Entretanto, seja pelo fetichismo automobilístico midiático ou pela pobre infraestrutura dos recursos públicos, a mobilidade urbana de baixo impacto ao meio ambiente possui poucos adeptos no Brasil e, por isso, requer cuidados estatais.
Previamente, é necessário salientar a influência mercadológica no deslocamento civil. À medida em que o marketing do “American Way Of Life” e indústria estadunidense fordista foram disseminados, durante o século XX, o incentivo a aquisição de automóveis - Principal produto confeccionado na época - foi alarmado. Dessa maneira, a supremacia dos carros atingiu escalas globais, permanecendo em vigor até datas atuais, embora demande um maior tempo de locomoção aos cidadãos e gere problemas à natureza, como o aumento de gases poluentes. Prova disso é a crise de congestionamento em São Paulo, que segundo reportagens do jornal O globo, chegou a consumir três horas da rotina civil em 2017. Desse modo, diminuir o impacto publicitário é essencial para mudar o hábito dos indivíduos.
Ademais, a incipiência de ciclovias e a baixa manutenção dos serviços de deslocamento públicos dificultam suas utilizações pela sociedade. Dessa forma, a má gestão urbana alimenta mais o caos nos trânsitos, visto que não há um estímulo ao transporte alternativo e os meios de locomoção coletivos são degradados. Sob essa ótica, países como Dinamarca e a Holanda conseguiram amenizar bruscamente o engarrafamento e uso de combustíveis fósseis, ao adaptar as estradas para o ciclismo e diminuir o preço das passagens. Segundo o filósofo John Locke, é dever do Estado oferecer mecanismos para o bem-estar social. Logo, propiciar recursos para novas formas de mobilidade é fundamental.
Portanto, ações são indispensáveis para oferecer locomoções versáteis à sociedade. Nesse viés, o estabelecimento de uma cota mínima de recursos anuais para a infraestrutura de cidades e transportes, por meio de uma ementa legislativa feita pelo Congresso Nacional, é crucial a fim de possuir melhores condições de deslocamento. Para isso, a verba do Ministério de Desenvolvimento Regional poderia ser utilizada e os respectivos Poderes Estaduais administrariam a quantia recebida. Outrossim, a criação de propagandas que estimulem o uso de transportes coletivos ou menos maléficos ao ambiente, por meio de parcerias publico-privadas entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e empresas midiáticas, é mister no intuito de mudar o hábito civil. Apenas assim cenários tão degradantes não farão parte da realidade brasileira.