Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 12/01/2021

O desenvolvimento de novos meios de tranporte e de estudos logísticos capazes de contribuir para a organização das cidades industriais marcam a Modernidade, apresentando, ainda hoje, impactos significativos no planejamento citadinos ocidentais. Contudo, hodiernamente, diante das demandas con-temporâneas pela criação de cidades ecológicas, coloca-se em pauta os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental. Nesse sentido, cabe a análise dos aspectos socioculturais que permeiam a problemática, além da observação acerca do papel governamental na sua remediação.

É relevante abordar, primeiramente, que em consonância com Karl Marx, filósofo alemão, o modo de produção material é determinante para a compreensão dos fenômenos sociais. Sob a ótica marxista, o descaso institucionalizado com que são tratados os meios de transporte coletivos, aliado à hipervalorização do automóvel individual, é fruto da lógica capitalista que estimula o consumo e a individualização — mesmo quando essas práticas são insustentáveis ambientalmente e logisticamente. Isso posto, cria-se no imaginário populacional a equivocada ideia que atrela as necessidades individuais e coletivas ao anseio por inclusão na estrutura econômica vigente, que, de maneira prática, se reverte em entraves no fluxo urbano e resulta na emissão crescente de poluentes atmosféricos.

Paralelo a isso, a ineficácia estatal na formulação e proposição de estratégias modais alternativas que atendam às exigências ecológicas mostram-se como barreiras significativas para o avanço da pauta nacionalmente. Diante disso, embora, segundo o IBGE, 80% da população pátria resida em cidades, o transporte coletivo ainda é deficitário, sendo inseguro e insuficiente. De tal forma, urge a busca por modelos de deslocação citanidos mais dinãmicos e ecológicos, tal como o adotado em Londres, em que o investimento em transporte público e o desestímulo do uso de automóveis individuais contribuiu para redução drástica do trânsito e de impactos ambientais associados.

Deve-se, portanto, desenvolver alternativas que contribuam para o avanço da mobilidade sustentável no Brasil. Para tanto, os Ministérios da Infraestrutura e do Meio Ambiente, em ação intersetorial com as Secretarias Estaduais de Logística e Transportes, podem promover, nas mais diversas frentes acadêmicas, o desenvolvimento de pesquisas qualitativas que objetivem elaborar es-tratégias para a coordenação e integração de sistemas modias adaptadas as realidades das regiões do Brasil, fazendo uso dos recursos estruturais e ambientais fornecidas por essas. Dessa forma, a partir dos estudos propostos, deve-se estimular a coletivização  e sustentabilidade dos meios de locomoção urbanos através da elaboraçãode políticas públicas capazes de gerar um deslocamento de pessoas e mercadorias mais coerentes com as demandas socioambientais Pós-Modernas.