Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 16/01/2021

A Carta Magna de 1988, desde seu prelúdio, assegura o direito irrevogável de todo cidadão ao aces-so ao bem-estar social. Contudo, no Brasil hodierno, essa prescrição não é cumprida quando se obser-vam impactos ambientais causados pela mobilidade urbana. Nessa perspectiva, entre os agravantes da problemática, destacam-se a lenta mudança da mentalidade social ante o tema e a negligência do Governo ao agir de modo insuficiente para a dimensão do problema.

Em primeiro plano, é válido ressaltar a morosidade na transformação do comportamento coletivo no que tange ao entrave da grande quantidade de carros que circulam, diariamente, nas ruas e avenidas. De modo contrário a essa postura, o ativista indiano Mahatma Gandhi atesta que o povo deve se tornar as mudanças que deseja ver no mundo, ou seja, cabe ao corpo social a tomada de medidas que alte-rem o cenário da pouca utilização de transportes menos prejudiciais à natureza, como o pedonal. Sob tal ótica, percebe-se que a população ainda não se conscientizou a respeito do próprio papel na resolu-ção do óbice de encontrar transportes alternativos para diminuir o trânsito nas rodovias e, consequente-mente, o lançamento de gases poluentes na atmosfera. Assim, a letargia dos habitantes contribui para o deterioramento da situação no país, tal como se verifica na pouca utilização do transporte coletivo, devido à sua precariedade, o que leva a um aumento de poluidores nos centros urbanos nacionais.

Outrossim, a inoperância governamental, principalmente em relação à execução e à fiscalização das leis que protegem o meio ambiente, colabora para uma intensificação da atividade poluidora nas cida-des brasileiras. Dessa forma, nota-se que a postulação aristotélica, de que a base de uma sociedade é a aplicação da justiça, não é observada na contemporaneidade, pois o Poder Público, quando não cum-pre sua função em relação à construção de ciclofaixas nos municípios, deixa de solidificar a base coleti-va defendida desde a Grécia Antiga. Logo, a inação das autoridades é um fator que agrava o problema, já que a ausência de incentivos e de informações faz com que os brasileiros permaneçam na zona de conforto, utilizando carros próprios para ir ao trabalho e aumentando a poluição.

Portanto, deve-se agir para vencer os desafios dos impactos ambientais ocasionados pela mobilidade urbana. Para isso, urge que o Ministério da Educação, em parceria com a mídia, elabore um projeto e-ducativo sobre os efeitos negativos que a poluição traz à natureza, o que possiblita maior conhecimento acerca do assunto. Isso será feito por meio da veiculação de anúncios nas redes sociais - como Twitter, Facebook e Instagram - e de propagandas televisivas que apontem os meios mais benéficos e como u-tilizá-los. A medida supracitada tem o intuito de alcançar o público alvo, que são pessoas que se deslo-cam diariamente com o próprio carro e, assim, garantir o direito prescrito constitucionalmente.