Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 09/03/2021

Poluição do ar, estresse, sedentarismo, horas perdidas em congestionamentos: diversas são as consequências do atual modelo – centrado no carro - de mobilidade urbana adotado no Brasil. Nesse sentido, as causas responsáveis por esse cenário são a falta de infraestrutura aos modos não motorizados e a cultura de valorização do automóvel. Assim, decorrem-se impactos negativos a nível sanitário, ambiental e até sobre a geração de riquezas no país.

Convém ressaltar, a princípio, que de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019, a poluição do ar e doenças crônicas não transmissíveis – como diabetes e doenças cardiovasculares - eram responsáveis pela morte de cerca de 50 milhões de pessoas. Ainda segundo a OMS, o trânsito é um dos principais responsáveis pelas emissões de poluentes no ar. Nessa conjuntura, os modos ativos – por exemplo, bicicleta e a pé - devem ser fomentados devido aos benefícios gerados pela realização de deslocamentos mais saudáveis e sustentáveis nas cidades. Assim, deve-se priorizar investimentos na melhoria da qualidade de calçadas e ciclovias, como os realizados na rua Barão de Limeira e na ciclovia da Avenida Paulista, em São Paulo.

Contudo, devido às políticas públicas ao longo da história brasileira de incentivo ao uso do carro – plano desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek e de redução de impostos sobre carros durante o governo Lula -, verifica-se uma sociedade com a cultura de valorização do veículo particular. Segundo o Banco Mundial (2003), a poluição atmosférica associada à movimentação das pessoas em veículos motorizados no Brasil tem um custo anual de cerca de R$ 20 bilhões. Nesse sentido, o investimento em iniciativas como compartilhamento de bicicleta e patinete elétrico tem o potencial de reduzir as emissões de poluentes, visto que não são movidos à combustão interna de combustíveis fósseis, bem como, reduzir os congestionamentos devido a menor necessidade de se utilizar o veículo particular para realização de pequenos deslocamentos. Desse modo, diminuiriam-se as perdas geradas pela poluição.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater aos desafios da mobilidade de baixo impacto ambiental. Para isso, as prefeituras devem direcionar recursos para criação de uma rede cicloviária por meio de uma política pública de planejamento integrado com outros modos – por exemplo, criar ciclovia que liga às estações de metrô que devem ser dotadas de bicicletários - com o objetivo de incentivar o uso de modos mais sustentáveis. Ademais, os Ministérios do Meio Ambiente e da Saúde devem criar campanhas midiáticas - vinculadas na televisão, rádio e redes sociais - para mostrar os benefícios do uso de modos ativos para a redução das emissões de poluentes e dos congestionamentos, bem como os efeitos positivos para saúde, meio ambiente e bem estar da população brasileira.