Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 19/10/2021

O romance filosófico “Utopia”, criado pelo escritor inglês Thomas More no século XVI, retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante aos desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental, problema ainda a ser combatido no Brasil. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão da ausência de investimentos por parte da esfera governamental, mas também pela acumulação de capital pelos empresários automobilísticos. Desse modo, torna-se inexorável a análise dessa conjuntura para alterar essa problemática.

Em primeira análise,é imperioso destacar que a carência de investimentos e incentivos em relação à mobilidade urbana de baixo impacto ambiental deriva da ineficácia do poder público, no que concerne à criação de mecanismos, os quais coíbam tais recorrências. Sob a perspectiva, do filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento social no cenário hodierno brasileiro, visto que, devido à baixa atuação das autoridades, locomoção sustentável não é tão normalizada quanto deveria ser. Destarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução dessa situação caótica.

Ademais, cabe elencar que o benefício que os empresários automobilísticos ganham com a poluição alicerça na baixa adoção de mecanismos locomotivos de menor impacto ambiental. De acordo com o filósofo Rousseau, “o ser humano nasce bom, porém a sociedade o corrompe”, esse conceito é ocorrido constantemente no Brasil, tendo em vista que esses empreendedores visam o lucro e não o bem estar do meio ambiente. Logo, tudo isso retarda a implantação de mobilidades sustentáveis, já que o capitalismo, para eles, vem em primeiro lugar.

Urge, portanto, medidas que possam incentivar a adoção de transportes que não tragam desvantagens ao meio ambiente. Para tanto, o Ministério dos Transportes, órgão estatal responsável pela mobilidade, deve investir na modernização dos meios locomotivos, por intermédio de verbas governamentais, a fim de impulsionar a sustentabilidade. Paralelamente, a mídia, um dos meios mais importantes de formação do pensamento crítico, necessita criar propagandas que possam conscientizar os telespectadores a optarem por proteger o planeta. Dessa forma, a sociedade brasileira estará mais próxima da perfeição proposta por Thomas More.