Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental

Enviada em 30/10/2021

Em meados do século XVIII, o Iluminismo - movimento intelectual difundido na Europa Ocidental - consolidou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, instituindo o princípio da sustentabilidade como pilar no progresso social. No entanto, quando se observam os desafios para a efetiva implementação da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental na contemporaneidade, nota-se que o ideário exposto pelos teóricos iluministas não saiu do papel. Com efeito, há de se analisar a negligência estatal e social na manutenção do problema.

Diante desse cenário, persiste a omissão estatal na conservação do óbice. Sobre isso, Zygmunt Bauman - sociólogo polonês do século XX - elaborou o conceito de “Instituição Zumbi”, o qual evidencia que o Estado perdeu sua função social, mas manteve - a qualquer custo - sua forma. Nesse sentido, o Poder Público brasileiro se enquadra na teoria de Bauman, tendo em vista seu papel passivo em estabelecer adaptações no sistema de trânsito brasileiro, permitindo maior acessibilidade aos veículos de baixo impacto ambiental, bem como promover a massificação de informações acerca dos malefícios que os veículos automotores proporcionam ao meio ambiente. Assim, enquanto o problema denunciado por Bauman for a regra, o equilíbrio ambiental será utópico no Brasil.

Ademais, cabe pontuar o desleixo social na persistência do óbice. Nesse viés, Robert Putnam, cientista político norte-americano, teceu o conceito de “Capital Social”, intimamente relacionado à virtude cívica, afirma que os níveis de ação coletiva são inversamente proporcionais ao número de problemas sociais, ou seja, quanto maior a atuação social, menores os problemas. Tal obra relaciona-se à questão dos desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental, tendo em vista a falta de engajamento social na propagação de informações sobre o tema, o que compromete veementemente o ideal de sustentabilidade e equilíbrio ambiental, provocando inúmeros malefícios à harmonia coletiva. Assim, nota-se que a falta de ativismo social representa um dos porquês do problema.

Isto posto, é imperiosa a ação de ONGs (Organizações não governamentais) na resolução do impasse. Para tanto, o Instituto Ethos - associação destinada à concepção de uma comunidade sem conflitos - deve pressionar o Poder Executivo, por meio de campanhas nas redes sociais, de modo a exigir que as escolas, responsáveis pela educação cidadã, realizem projetos pedagógicos acerca da necessidade de utilizar veículos de baixo impacto ambiental, essenciais na manutenção do meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem como palestras sobre os riscos que os automóveis trazem ao meio ambiente, tendo como finalidade estabelecer a massificação do tema na coletividade e minimizar os impactos ambientais. Assim, o ideal iluminista deixará de ser ficção e, finalmente, será efetivado.