Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 03/03/2022
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a realidade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito às pessoas que utilizam transportes de alto impacto ambiental. Neste contexto, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da educação deficitária e da pouca influência na utilização das bicicletas.
Convém ressaltar, a princípio, que a educação deficitária é um fator determinante para a persistência do problema. Sob esse viés, Kant afirma que o ser humano é resultado da educação que teve. Logo, se há um problema social, há uma lacuna educacional. Dessa forma, percebe-se a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel de debater acerca dos graves problemas ambientais causados pela utilização dos meios de transportes poluentes, além de não citar quais são suas alternativas. Portanto, sem diálogo sério e massivo sobre a questão, sua resolução é impedida.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a pouca influência na utilização de bicicletas. Desse modo, de acordo com os dados do Laboratório de Mobilidade Sustentável, da UFRJ, cada pesoa que utiliza bicicleta deixa de emitir 4,4kg de CO2 ao ano. Porém, sua utilização é impossibilitada pelas poucas ciclovias disponíveis em cidades, principalmente em bairros pobres, ainda, utilizar este meio de transporte em faixas impróprias é extremamente perigoso. Assim, sem a ampliação de ciclovias em todas cidades, a resolução do problema é dificultada.
Sendo assim, medidas estratégicas são necessárias para alterar este cenário. Logo, cabe ao Governo influenciar a utilização de meios de transporte favoráveis ao meio ambiente, por meio da ampliação do número de ciclovias e bicicletários - principalmente nas escolas - além de acrescentar uma máteria que debata acerca dos problemas ambientais e suas formas de resolução, a fim de conscientizar a população e diminuir a pegada de carbono. Somente assim, com a população saindo de sua zona de conforto, haverá uma menor liberação de CO2 na atmosfera e futuras catástrofes ambientais serão evitadas.