Os desafios da mobilidade urbana de baixo impacto ambiental
Enviada em 27/10/2022
A filósofa francesa Simone Beauvoir afirma que “o mais escandaloso dos escândalos é que nos acostumamos a ele”. De maneira análoga a esse pensamento, tem-se a sociedade brasileira, que naturalizou o transporte com veículos movidos a combustíveis fósseis, emissores de gases poluentes. Nesse contexto, destacam-se aspectos importantes: a corroboração da negligência estatal na manutenção desse cenário e a consequente poluição ambiental advinda dos gases emitidos pelos veículos.
Sob essa ótica, é importante enfatizar que a falta de investimento público na construção de ciclovias e caminhódromos caracteriza o Estado como uma “Instituição Zumbi”. Tal conceito, formulado pelo sociólogo alemão Zygmunt Bauman, refere-se a instituições que deixaram de cumprir seu papel. Dessa forma, a população brasileira fica impossibilitada de realizar seu transporte através da bicicleta ou caminhada e opta por meios como carro, motocicleta ou ônibus.
Por conseguinte, há a emissão, em grandes proporções, de gases como dióxido de carbono, dióxido de enxofre e compostos nitrogenados, que são tóxicos e agravadores do efeito estufa. Além disso, destaca-se ainda que o dióxido de carbono, por ser um composto altamente instável, transforma-se muito facilmente em ácido carbônico e por isso é o principal causador da acidificação dos oceanos. Sendo assim, é inadmissível que o atual cenário perdure.
Portanto, mudanças são necessárias para resolver o impasse. Para tanto, o Ministério da Infraestrutura deve, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, aumentar as verbas para a construção de ciclovias e caminhódromos de qualidade e presentes na totalidade dos centros urbanos brasileiros; a fim de garantir meios de transporte de baixo impacto ambiental para a população brasilera, tornando-a muito mais ecológica.