Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 27/04/2018
De acordo com o escritor austríaco Stefan Zweig, o Brasil pode ser considerado o país do futuro. Entretanto, a ineficácia mobilidade urbana brasileira, corroborada por trânsitos caóticos e vias mal planejadas, comprova que a profecia de Zweig, ainda hoje, não se tornou realidade.. Nesse âmbito, pode-se considerar a urbanização desordenada do país, assim como a difusão da “cultura do carro”, como obstáculos que perenizam a questão abordada.
A partir da década de 1950, constatou-se no Brasil um crescimento urbano ascendente, propiciado pela “política desenvolvimentista” de Juscelino Kubitschek. Contudo,observa-se que tal prática não veio acompanhada com uma política de infraestrutura eficiente, desencadeando, no país , um cenário de concentração populacional nas cidades e inchaço veicular, sobretudo nos grandes centros urbanos. Assim, o tempo de circulação diário dos brasileiros no trânsito, em decorrência dos engarrafamentos e acidentes casuais, tende a ser cada vez maior, não podendo ser aproveitado na realização de atividades laborais, por exemplo. Por isso, a morosidade do fluxo veicular precisa ser sanada.
Não obstante, verifica-se que a supervalorização dos bens materiais, na sociedade capitalista atual, perpetua a problemática exposta. Nesse sentido, a “indústria cultural”, cujo conceito está presente na filosofia de Adorno, associa a figura do carro a um bem que proporciona felicidade, pretígio, aceitação pessoal e respeito àquele que tem condições de adquirir tal produto. Logo, o automóvel deixa de ser consumido apenas por questão de necessidade, e passa a ser considerado um mecanismo de diferenciação social, aumentando sua busca no mercado e consequente circulação pelas vias nacionais. Ademais, soma-se a isso o deficiente sistema de transporte público do país, o qual, sendo problemático estruturalmente, leva muitas pessoas a optarem pelo veículo individual, para um maior conforto e segurança. Diante desse cenário, o tráfego brasileiro caracteriza-se por ser caótico, mostrando-se propício à ocorrência de acidentes e problemas climáticos futuros.
Diante dos impasses supracitados, percebe-se que há uma necessidade, nas principais cidades brasileiras, por um melhor planejamento urbanístico local. Para que isso se efetive, Cabe ao Governo Federal, através da contratação de engenheiros e arquitetos paisagísticos, realizar alterações em ruas, avenidas e rodovias que mais registram acidentes e engarrafamentos. Isso amenizará a morosidade do trânsito, atenuando a perca de tempo dos trabalhadores. Outrossim, As Prefeituras Municipais são responáveis por fiscalizar as empresas de transporte público, fornecendo verba para a melhoria dos coletivos e barateamento das passagens, a fim de incentivar o uso desse transporte alternativo. Com a efetividade de tais medidas, a profecia proposta por Zweig poder-se-á concretizar.