Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 02/05/2018

" Mais importante não é viver, mas viver bem". Para o filósofo grego Platão, ter qualidade de vida é muito mais relevante do que simplesmente existir. Nesse sentido, é fundamental que todas as pessoas tenham asseguradas as condições necessárias para poderem não apenas sobreviver, mas viver bem. No entanto, no Brasil, nota-se que mediante fatores culturais e insuficiências governamentais a crise na mobilidade se opõe completamente ao ideário de Platão, uma vez que prejudica constantemente a qualidade de vida da população, tornando urgente a tomada de medidas interventivas.

Seguindo o pensamento marxiano de que a economia determina a sociedade, durante as décadas de 50 e 60 o país passou intencionalmente por uma forte valorização dos veículos próprios que objetivava melhorar a economia nacional. Tal valorização se intensificou no governo de JK com as reformas estruturais e construção de diversas rodovias, originando, assim, uma cultura automobilística por todo o país que dura até hoje. Contudo, apesar ter incrementado o setor econômico o consumo exagerado provocado por ela causou e causa diversos problemas como grandes congestionamentos nos centros urbanos e poluição ambiental. Ademais, a quantidade de automóveis continua crescendo, aumentando cerca de 400%  só nos últimos 10 anos, segundo a Fundação de Getúlio Vargas.

Outrossim, evidencia-se na maioria das cidades brasileiras significante falta de infraestrutura para a mobilidade civil. Exemplo disso é a precariedade na sinalizações de trânsito, estrutura e até na própria organização do tráfego da cidade. Além disso, de acordo com pesquisa da empresa Sindiônibus, há apenas em média 1 ônibus para cada 80 pessoas no país, o que demostra que os transportes públicos são poucos, superlotados e, por vezes, caros e mau distribuídos, fazendo com os cidadãos, por necessidade, optem pelo transporte próprio. Assim sendo, tal situação deixa clara a participação do Estado nessa crise por meio do seu descaso e inconsequência.

Em síntese, vê-se que é imprescindível a realização de ações efetivas para resolver o caos da mobilidade urbana no Brasil e para que, desse modo, a população possa  ter qualidade de vida. Para isso, primeiramente o poder público deve impor punições severas as prefeituras que não seguirem Política Nacional de Mobilidade Urbana, a qual oferece as diretrizes para um sistema de mobilidade coeso e eficiente, e, como também, intensifique a fiscalização para garantir sua execução. Além disso, é preciso que a mídia por meio de campanhas publicitárias conscientize a população sobre a aquisição de automóveis e suas consequências para sociedade, assim como incentive-a a utilizar transportes alternativos como bicicletas e  transportes coletivos. E, por fim, a discussão do assunto nas escolas é imperiosa  para que a cultura automobilística possa ser, pouco a pouco, reduzida.