Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 30/04/2018
A mobilidade urbana no Brasil chegou a níveis alarmantes. Segundo o site Mundo Educação, uma pessoa na cidade de São Paulo passa em torno de 1 mês e 15 dias do ano presa em congestionamentos. Nesse viés, pode-se averiguar que esta problemática se mantém ativa por dois fatores: o legado histórico-ideológico e o mau incentivo aos meios de transporte público.
A sociedade brasileira ainda está presa em ideais errôneos, sendo o individualismo por parte dos motoristas um deles. Isso se dá porque existe uma herança imaterial passada por gerações afirmando que as pessoas possuem seus próprios desafios e é dever de cada uma resolve-los. Segundo Juahrez Alves, “construa o seu mundo individual, mas não seja individualista”, porém, é de forma individualista que muitos motoristas pensam, pois, segundo pesquisas da ANTP, atualmente um carro está transportando 1,4 pessoas em uma viagem cotidiana, sendo que há, em média, 5 lugares em um automóvel de passeio. Consequentemente, o número de veículos aumenta e um intenso congestionamento torna a mobilidade urbana caótica.
Contudo, a problemática está longe de ser resolvida, haja vista que há um mau incentivo aos transportes públicos. De acordo com Michel de Montaigne, “a mais honrosa das ocupações é servir o público e ser útil ao maior número de pessoas”, entretanto, não é nesta realidade que os incentivos ao transporte público se encontram, tendo em conta que há mais investimento financeiro pelo Governo no mercado automobilístico, do que na compra e manutenção dos transportes públicos. Dessa forma, cada vez mais pessoas optam por adquirir e utilizar carros e motos em seu dia a dia.
Mediante ao exposto, pode-se perceber, portanto, que a ideologia vigente e o mau incentivo aos meios de transportes são fatores que inibem a erradicação dos desafios da mobilidade urbana no Brasil. Para acontecer a erradicação de tal impasse, é dever do Ministério dos Transportes, por meio de palestras e exposições, mostrar aos motoristas como um automóvel de passeio pode ser compartilhado com outras pessoas que possuem o mesmo destino, pois assim a ideologia vigente do individualismo seja quebrada e cada vez menos carros tomem conta das vias públicas. Outrossim, o Governo Federal deve, através da criação de leis e reuniões, reorganizar a distribuição do dinheiro público, dando realce tanto para o investimento em multinacionais automobilísticas, como para os meios de transportes públicos de todo país, para que assim gradativamente mais pessoas optem pelo novo transporte público de qualidade, do que fazer a escolha de comprar um automóvel para o uso no cotidiano. Dessa maneira, a mobilidade urbana de forma caótica se tornará apenas uma cicatriz em um futuro próximo do Brasil.