Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 29/10/2025

A série televisiva “Entre Tapas e Beijos” retrata o cotidiano de duas funcionárias de uma loja, sendo frequentemente ambientada no interior do ônibus. Esse cenário faz alusão à realidade dos trabalhadores brasileiros que enfrentam longas jornadas no interior dos transportes coletivos, em detrimento da mobilidade urbana defasada do país. Diante do exposto, faz-se necessária a análise da indiferença do Estado e da desigualdade social como suscitadores desse panorama.

Nessa perspectiva, a apatia do governo configura um desafio para a mobilidade urbana, sobretudo daqueles pertencentes a classe trabalhadora. Nesse viés, sabe-se que as principais vítimas desse óbice são os indivíduos desfavorecidos financeiramente, uma vez que esses têm que realizar um movimento pendular - entre a sua residência e o seu espaço laboral - diariamente, dependendo exclusivamente de transportes públicos. Contudo, o Estado, ao não buscar alternativas que possam contribuir para a melhoria desse fluxo, compactua com essa desigualdade de deslocamento. Logo, esse grupo é frequentemente submetido a longas horas nesse trajeto, o que implica diretamente na sua qualidade de vida e no seu bem estar.

Além disso, a precária mobilidade no espaço urbano no Brasil advém da desigualdade econômico-social que se expressa na acentuada distância das periferias para o centro comercial e industrial. Historicamente, a população de baixa renda foi afastada das regiões centralizadas da cidade, pois suas moradias não se enquadravam no padrão estético da elite, que por sua vez, buscava “embelezar” o ambiente, deslocando esses cidadãos. Com isso, a classe trabalhadora foi destinada a enfrentar percursos cansativos para chegar ao seu destino, gastando seu tempo de descanso no trânsito.

Portanto, é evidente que medidas devem ser tomadas para solucionar os desafios da mobilidade urbana. Dessa forma, cabe ao Governo Federal investir na criação de um Plano Nacional de Deslocamento que irá se expressar no aumento da frota de transportes públicos - como ônibus ou metrôs -, além de criar um novo sistema de gestão de trânsito. Essa ação terá o fito de reduzir a carga horária nesse trajeto e ampliar o fluxo de veículos. Assim, esse cenário se restringirá à ficção.