Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 07/05/2018

O direito de ir e vir enfrenta dificuldades nos grandes centros do Brasil e do mundo, o erro consiste desde os primórdios, por falta de planejamento urbano. Em questão nacional, a prioridade dada para o automóvel durante muito tempo reflete nos transtornos e a não fluidez do trânsito. Ademais, o transporte público apresenta inúmeros empecilhos.

Uma delas é a alta taxa que o trabalhador é obrigado a desembolsar, parte substancial do seu salário, para se locomover da casa para o trabalho diariamente. Sem contar as precariedades do sistema público, como o alto tempo de espera no ponto de ônibus além do tempo perdido dentro destes devido ao congestionamento, como também, uma rede metroviária pouco expandida nas cidades que as possuem (Xangai na China, por exemplo, tem 588km de trilhos em operação, enquanto São Paulo, a maior rede do Brasil, possui apenas 89km), além da falta de segurança, com frequentes casos de assaltos e violência sexual no trajeto coletivo. Ou seja, o transporte público que é providenciado à população brasileira é caro e de baixa qualidade devido a inexistência de uma política clara e contínua.

Para complementar os desafios da mobilidade urbana, a cultura brasileira promove um status social ao carro privado, com a ideia de conforto, privacidade e poder econômico, incentivado pelo consumismo. Como consequência, muitas pessoas ainda possuem interesse em adquirir um automóvel, gerando assim, maior obstrução no trânsito. O brasileiro não tem na sua vivência o hábito de usar bicicletas para se locomover, como há na Europa. São questões culturais que refletem no deslocamento nas cidades. Mudanças nessa área são mais difíceis de ocorrer, porém, com o incentivo de prefeituras e empresas privadas, além claro de disponibilização de uma malha cicloviária segura, a população pode aos poucos mudar essa cultura.

Logo, para melhorar a mobilidade urbana no Brasil, o Governo municipal deve desincentivar o uso do transporte privado, aumentando as taxas de estacionamento e proporcionando menos vagas nas ruas. Ao mesmo tempo que melhora a qualidade do transporte público, expandindo os corredores de ônibus, e as companhias de trânsito devem utilizar semáforos inteligentes, que quando identificam ônibus determinam menor tempo de parada, para diminuir o tempo de deslocamento. Outra forma de aumentar a qualidade do transporte coletivo seria a desoneração do setor, ou seja, custos mais baixos, gasolina e eletricidade mais baratas para gerar uma taxa ao consumidor mais baixa. Para melhoria na segurança, o governo deve proporcionar cursos específicos com esta finalidade para funcionários de metrô e ônibus.