Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 06/11/2025

O verso ´´morreu na contramão atrapalhando o trânsito´´ da canção ´´Construção´´, escrita por Chico Buarque, retrata o caos nas ruas nacionais. Fora da ficção, no Brasil atual, nota-se a perpetuação deste caos devido à má mobilidade urbana no país. Deste modo, cabe uma análise sobre os principais fatores desta problemática, a construção da mobilidade urbana no país e a inação estatal vigente.

Em primeiro lugar, é imprescindível citar a maneira como o Brasil formou sua mobilidade urbana como potencializadora da problemática. Em consonância, o livro ´´A urbanização brasileira´´, escrita pelo geógrafo Milton Santos, afirma que o país criou suas estradas e cidades de modo desigual, segregando a população pobre nas margens da sociedade, em condições precárias de mobilidade. Sob esta óptica, nota-se que a manutenção desta lógica exclusiva infla o fluxo de retorno -movimento diário da classe trabalhadora em deslocamento de suas residências para o trabalho-, gerando trânsito e impedindo a mitigação da problemática, conforme exposto dados da ANTP. Como efeito, a perpetuação da histórica segregação socioespacial permite a vigente má mobilidade urbana na nação.

Ademais, é imperativo destacar a ineficácia do Estado em solucionar o problema em questão. Em paralelo, o livro ´´Dicionário da Politíca´´, escrito por Norberto Bobbio, afirma o papel do país como mantenedor dos direitos sociais, destacando o direito de ir e vir. Todavia, o Brasil falha em cumprir o papel supracitado devido à inexistência de programas governamentais voltadas ao combate da difícil mobilidade urbana. Prova disto é que, mesmo destinando 5% do PIB à manutenção de rodovias, a nação detém mais de 3 milhões de cidadãos com suas condições de ir e vir cerceadas devido à falta de estradas em boas condições de uso, conforme exposto pelo IBGE. Logo, a inação estatal permite a permanência da problemática.

Portanto, urge uma ação do Governo Federal para mitigar o atual cenário de mobilidade urbana. Assim, cabe ao Ministério das Cidades -órgão responsável pelo trânsito no país- criar uma campanha, por meio das redes analógicas e digitais, promovendo a ampliação da frota de transporte público nas cidades, com tarifa zero para os trabalhadores. Isso se deve por meio da alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Assim, o país mitigará a desigualdade, gerando mobilidade a todos.