Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 28/05/2018

“Governar é construir estradas.” Frase atribuída à Juscelino Kubitschek, na década de 50, que incentivou o transporte rodoviário brasileiro, construindo e ampliando as rodovias. Na atual conjuntura, sob reflexo de uma política rodoviarista, predomina-se, ainda, no Brasil, o rodoviarismo dentre todos os modais de transporte existente. Dessa forma, é necessário analisar os efeitos dessa prática, que torna a mobilidade urbana um obstáculo a ser enfrentado.

Cabe salientar que o aumento do transporte individual esteja entre uma das causas do agravamento da locomoção social. De acordo com a pesquisa realizada, em 2016, pela Fundação Getúlio Vargas, a qual afirma que a frota de automóveis brasileira cresceu 400% em dez anos. Observa-se, então, intenso fluxo de carros diariamente no grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo, causando o aumento dos engarrafamentos, intensificação do efeito estufa, poluição sonora e sobrecarregamento do espaço. Logo, o paradigma do automóvel prejudica o deslocamento diário da população.

É notório ainda que ausência de políticas específicas para aumentar a oferta de meios de transportes coletivos e eficientes, também, pode ser relacionada aos problemas de infraestrutura do serviço de mobilidade. Verifica-se essa situação, como um do efeitos do governo de Juscelino Kubitschek, a qual super valorizou o transporte rodoviário em detrimento do ferroviário e das hidrovias. Logo, a malha ferroviária brasileira - transporte de massa, mais rápido e econômico - ficou em segundo plano, tendo seu desenvolvimento desvalorizado, uma vez que, ainda, ocorre o sucateamento dessa opção. Ademais, a falta de investimentos em transportes alternativos, como metros, ciclovias e as barcas, tem causado a lotação de rodovias e dos ônibus diariamente. Assim, é evidente a deficiência brasileira nessa questão.

Portanto, a mobilidade urbana ainda requer ações mais efetivas para ser solucionada no Brasil. Nesse sentido, o Governo Federal, deve investir na melhoria e aperfeiçoamento do transporte intermodal, por meio do Ministério de Transporte, propondo uma parceria público-privada, com a prioridade de ampliar os transportes de massa, acima de tudo, o transporte sobre trilhos, aumentar, também, o número da frota de ônibus nos horários de maior congestionamento, estabelecer preços acessíveis para as tarifas e buscar expandir as alternativas sustentáveis, como as ciclovias. Espera-se, com isso, garantir o melhor de deslocamento das pessoas e desenvolver uma integração local, regional e nacional. Assim, será possível, gradativamente, mudar esse cenário.