Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 20/05/2018
Parecer Rousseauniano
É indubitável que um dos maiores transtornos do Brasil é a mobilidade urbana. A Carta Magna Brasileira assegura a todo cidadão, teoricamente, o direito de ir e vir. Não obstante, na prática, tal inciso não é desempenhado eficientemente. O crescente valor das tarifas, a ausência de investimento em novos meios de transporte e a falta de manutenção das frotas atuais dificultam a resolução dessa problemática, o que configura um grave problema social.
O governo de Juscelino Kubitschek foi marcado pela construção exclusiva das malhas rodoviárias e, desde então, a validez dos outros meios vem sendo desprezada, haja vista que as rodovias permanecem predominantes. Entretanto, em um vasto território, como o do Brasil, as ferrovias e os transportes aquaviários seriam de grande vantagem por seu baixo custo, além da diminuição do trânsito nos centros urbanos. Sem embargo, esse investimento não ocorre devido à falta de prospecção dos representantes governamentais.
Além disso, é cabível enfatizar a precariedade da maioria dos transportes públicos. Com a péssima infraestrutura dos veículos, pessoas com maiores condições financeiras optam pelos carros, o que gera o trânsito caótico que vê-se todos os dias cidades. Ainda assim, as tarifas continuam em ascendência, dando mais um motivo para a população, indignada por pagar mais caro por um serviço pior, escolher por não utilizar os meios coletivos.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver o problema da mobilidade urbana. Cabe ao Governo Federal e à União realizarem investimentos em novas formas de transporte, a fim de diminuir o caos das rodovias nas cidades. Outrossim, é imperativo que os Governos Municipais cobrem e fiscalizem as empresas contratadas, visando assegurar a qualidade dos serviços e, consequentemente, dar motivo para a população optar pelos transportes coletivos. Sob tal perspectiva, poder-se-à respeitar a liberdade de locomoção dos indivíduos, iniciando um legado em que a frase de Jean Jacques Rousseau “o indivíduo nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado” já não condiga tanto com a realidade.