Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 28/05/2018

O sociólogo Émile Durkheim compara a sociedade a um corpo biológico, no qual todos os órgãos devem estar em perfeita harmonia a fim de garantir o seu bom funcionamento. Contrapondo a visão de Durkheim, a mobilidade urbana no Brasil ainda representa um cenário desafiador na atualidade, seja por raízes históricas, seja pela desatenção governamental perante sua Constituição, o que configura um grave obstáculo social.

Em primeiro plano, convém analisar a presença da cultura do automóvel no território nacional. Sob tal ótica, Juscelino Kubitscheck, por meio da política desenvolvimentista, estimulou a expansão da indústria automobilística durante seu governo, pondo os veículos como símbolos de prestígio social. Como resultado, esse fato enraizou-se na sociedade brasileira e, dessa forma, a valorização do transporte individual, também incentivada pela mídia, colabora com o grande fluxo citadino nas grandes cidades, o que revela, a partir desse cenário, uma necessidade de mudança nos valores do corpo social.

De outra parte, a precariedade da mobilidade urbana no país fere princípios constitucionais. Dentro dessa lógica, a Carta Magna de 1988 estabelece a todo cidadão o direito de ir e vir sob qualquer circunstância. Apesar disso, é válido destacar que esse princípio não é experimentado na prática por todos os indivíduos, uma vez que, a partir do momento em que passam um excessivo período no trânsito, tais indivíduos têm seu direito de livre locomoção violado. Logo, é significativo destacar que a inobservância governamental perante sua própria Constituição denota uma responsabilidade em implementar normas específicas no que se refere aos entraves enfrentados pelo deslocamento urbano brasileiro, pois, do contrário, o ambiente acabará sob pena de graves prejuízos ocasionados pela abundante emissão de gases dos automóveis.

Destarte, infere-se que a problemática representa um contexto desafiador na atualidade e, sendo assim, medidas são imperativas a fim de mitigar a questão. Nesse sentido, o Poder Público, na figura do Ministério dos Transportes, deve promover o estímulo à caronas solidárias por meio de ações publicitárias e palestras com especialistas no assunto, com destino à toda a comunidade civil, a fim de incentivar tais caronas e, à vista disso, diminuir o grande tráfego nos centros urbanos. Desse modo, poder-se-á ter um organismo social competente e com todos os setores em perfeita harmonia, conforme teorizava Durkheim.