Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 30/05/2018
Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Historicamente, as políticas para o desenvolvimento do Brasil apoiaram, direta ou indiretamente, a propagação do modal rodoviário como principal meio de locomoção da sociedade. O grande problema desse sistema de locomoção, além do impacto ambiental causado pela emissão de poluentes, é o surgimento de gargalos no trânsito, principalmente nos grandes centros urbanos. Aliado à isso, uma mentalidade individualista dos cidadãos, que optam por utilizar seus próprios veículos em detrimento do uso do transporte coletivo, fato ampliado pelas baixas condições de conforto e segurança encontrados nesse último, estimulam ainda mais o surgimento de problemas para a mobilidade nas cidades.
Corrigir essa realidade requer esforços públicos, tanto econômicos quanto sociais. Para isso, em se tratando de mobilidade urbana, o primeiro passo deve se dar em direção à análise holística dos centros urbanos. É necessário considerar não apenas as estruturas físicas, mas também as sociais e culturais. Por isso, a participação da sociedade na criação de planos de melhorias é fundamental, uma vez que o pensamento coletivo deve direcionar as estratégias a serem adotadas.
Não existe fórmula mágica para melhorar qualquer infraestrutura que seja: são necessários investimentos. Em princípio, esses investimentos devem ocorrer de forma a melhorar a infraestrutura já existente, como é o caso de investimentos no sistema coletivo de ônibus. Posteriormente são necessários investimentos para diversificar o transporte coletivo, principalmente por meio de linhas metroviárias ou de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).
Durante esse processo de “rearranjo estrutural”, torna-se fundamental que se desenvolva na sociedade a consciência dos benefícios que a utilização do transporte coletivo proporciona. Menos carros nas ruas implica em menos trânsito, ou seja, menos tempo perdido em engarrafamentos, algo que afeta diretamente a qualidade de vida. O estímulo para meios alternativos de locomoção, como é o caso, por exemplo, das bicicletas e dos aplicativos de carona, são outras opções. Contudo, deve-se levar em conta a necessidade de gerar um ambiente propício para que isso aconteça, exigindo novamente investimentos em infraestrutura - ciclovias ou ciclofaixas, por exemplo - e de segurança pública.
Proporcionar a integração entre sistemas de trasporte coletivo (rodoviário, metroviário, ferroviário), com a circulação de veículos e de pessoas, de forma a garantir a fluidez nos centros urbanos, é o sonho de toda sociedade. O problema está em tirar isso do papel: os investimentos são altos e de longo prazo. Contudo, é uma conta que vale a pena ser paga.