Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 04/06/2018
Durante o final da década de 1950, o então presidente, Juscelino Kubtisckek, incentivou fortemente as indústrias automotoras no Brasil e, consequentemente investiu na abertura de novas estradas. Isso tornou o Brasil um país, em sua maioria, rodoviário. Tal configuração resultou em inúmeros problemas, como por exemplo, a mobilidade urbana nos grandes centros que se agrava a cada dia. Nesse sentido, é necessário analisar esse cenário a fim de mudá-lo o mais rápido possível.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o probema na mobilidade é fruto da falta de planejamento urbano. Durante o processo de industrialização brasileira, uma grande massa populacional migrou para os polos industriais. No entanto, diante do despreparo das cidades e da especulação financeira esses migrantes foram obrigados a morar longe dos seus empregos e a utilizarem frequentemente os meios de transporte para se deslocarem. Atualmente, devido ao aumento do poder aquisitivo e das péssimas condições dos transportes públicos – superlotação, falta de manutenção e segurança – tal população passou a adquirir carro próprio. Entretanto, essa atitude repetida várias vezes colabora para promover um trânsito caótico com engarrafamentos quilométricos.
Além disso, os baixos investimentos em outros modais de transporte, sobretudo o ferroviário, agravam ainda mais a situação. O transporte ferroviário é considerado, por muitos, a saída para o caos urbano por ser um muito mais rápido, seguro, barato e menos poluente. Contudo, esse meio recebe cada vez menos verbas. Segundo o Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa o 93º lugar em qualidade e infraestrutura das ferrovias. Isso se deve, em grande parte, as diferenças de bitolas - distâncias entre os trilhos -. Fato esse que impede a integração das linhas férreas e elevam os custos desse modal exigindo ,assim, mais investimentos, que não ocorrem.
Fica evidente, portanto, que a mobilidade urbana brasileira é bem precária e fazem-se necessárias mediadas para resolver a questão. Assim sendo, o poder público municipal deve criar uma ouvidoria online na qual os usuários dos coletivos possam fazer reclamações a respeito da infraestrutura dos ônibus ou qualquer outra irregularidade para que posteriormente o mesmo cobre melhores condições da empresa prestadora do serviço com o intuito de incentivar o uso dos coletivos. Ademais, cabe ao Ministério do Transporte em parceria com a Receita Federal a destinação de maiores verbas para a construção, ampliação e integração das linhas férreas bem como a homogenização das bitolas com a finalidade de diversificar os modais, melhorar o transporte e evitar a dependência de somente um meio.