Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 03/07/2018

Depois dos primeiros passos vem o primeiro carro

A mobilidade urbana, ou seja, a condição oferecida pelas cidades para garantir a livre circulação, é o resultado de várias condições estruturais, sociais, ambientais e capitalistas. Em outras palavras, o sucateamento de transportes públicos em prol do incentivo governamental ao mercado automobilístico, a supervalorização imobiliária dos centros das cidades aumentando o fluxo de trabalhadores vindos das áreas periféricas e as grandes taxas de liberação de carbono devido aos derivados do petróleo expõem as dificuldades e os desafios da mobilidade urbana no Brasil.

Devido aos incentivos governamentais para o transporte rodoviário, no início da industrialização brasileira, esse tipo de deslocamento se tornou o mais popular e investido no país. Evidentemente, a venda de automóveis significa grande arrecadação de impostos aos cofres públicos, no entanto, em prol desse acordo, há o sucateamento e ineficiência dos transportes coletivos. À medida em que o transporte coletivo não funciona, a necessidade de um transporte individual aumenta e, de mesma proporção, aumentam os fluxos de veículos e a poluição da queima de combustíveis.

Simultaneamente, a supervalorização dos centros das cidades obrigam a maior parcela da população trabalhadora a mover-se para as áreas periféricas e, dessa forma, aumenta-se ainda mais o fluxo de automóveis ao chamado movimento pendular, onde a população desloca-se para os centros cedo e retornam para suas casas ao entardecer. Além disso, outros meios de transporte acabam sendo pouco explorados e difundidos pelo país, o que acaba tornando o tráfego de produtos em caminhões maior e o trânsito mais problemático. Como exemplo, a greve dos caminhoneiros trouxe a questão da dependência de apenas um meio de transporte, pondo a ela toda a responsabilidade e, ainda, a apenas uma classe trabalhadora toda a funcionalidade do país.

Em síntese, devido aos problemas citados fica evidente a necessidade de mudanças para a melhoria da mobilidade urbana brasileira. O poder público, em primeiro lugar, deve investir nos transportes públicos a fim de garantir a funcionalidade e, assim, incentivar o maior uso pela população, diminuindo o número de automóveis. Em segundo lugar, deve investir nos transportes limpos, como bicicleta, patins e patinetes, com vias exclusivas para esses a fim de garantir maiores adeptos e segurança dos usuários. A melhoria dos transportes hidroviários e ferroviários deveria ser posta em ação para a melhoria dos fluxos rodoviários, garantindo menores engarrafamentos, assim como a supervalorização imobiliária dos centros deveria ser interrompida a fim de garantir que a população trabalhadora possa morar mais próxima de seus trabalhos. Deve-se garantir a todos o direito de ir e vir.

De acordo com pesquisas, são altas as taxas de acidentes e mortes no trânsito brasileiro. Esse fato ilustra a ineficiência e insegurança do transporte rodoviário brasileiro.