Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 09/06/2018

O corpo humano é formado por tecidos, órgãos e sistemas, cada um com funções específicas, que de forma integrada resultam em um funcionamento corporal equilibrado e harmônico. Analogamente, a mobilidade urbana consiste em um sistema que integra um organismo, também complexo, denominado cidade. Entretanto, percebe-se que, no Brasil, inúmeras delas adoeceram ou estão adoecendo, em razão da ‘‘imobilidade urbana’’. Dessa forma, ao fazer uma análise mais consistente, verifica-se que fatores estruturais e políticos convergem para essa disfunção no país.

Segundo dados do IBGE de 2017, 76% da população brasileira vive em áreas urbanas, sendo que, grande parte, cresceu sem planejamento urbano. Por conseguinte, um fenômeno decorrente disso é o engarrafamento, que devido ao número excessivo de veículos, combinado a um ineficiente sistema de transporte público, resulta em uma situação de caos permanente. Além do mais, as consequências não ficam restritas ao tráfego urbano, mas, também, aos númerosos problemas ecossistêmicos como as poluições atmosféricas; e de saúde pública, como as alergias e doenças respiratórias. Tem-se, então, o início dos primeiros sintomas da alteração dos sistemas ambiental e socioeconômico.

Outrossim, para facilitar o deslocamento e diminuir esses problemas, deve-se priorizar o transporte público, uma vez que, os carros usam 17 vezes mais espaço para levar o mesmo número de gente que um ônibus, de acordo com um estudo feito pelo jornal Folha de São Paulo. No entanto, muitas vezes as condições de infra-estrutura não estão adequadas ou simplesmente estão segregadas nos centros urbanos, assim, acarreta falta de segurança e conforto dos usuários. Em razão disso, essas pessoas ficam mais vulneráveis a acidentes, que podem ser causados não somente pelos conflitos entre pedestres e veículos, mas também entre os pedestres e os obstáculos presentes nas vias púbicas.

Fica claro, portanto, que as cidades doentes adotem terapias para que possam iniciar um processo de reabilitação. Para estimular os deslocamentos a pé ou de bicicletas, o Ministério das Cidades deve criar espaços setorizados de apoio à população, para que possam atender as demandas de cada região, seja o nivelamento de calçadas, retirada de obstáculos, bem como a construção ou manutenção das ciclovias e ciclofaixas. Ademais, cabe também as prefeituras, investir em transportes públicos e utilizar a mídia para sensibilizar os cidadãos o quanto o estresse urbano pode ser prejudicial. Nessa perspectiva, se o programa de mobilidade urbana apostar nas inter-relações entre os diferentes setores, esses municípios poderão resgatar a sincronia que um organismo saudável possui.