Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 10/06/2018

Definida pelo sociólogo Comte, como um organismo, a sociedade, assim como este precisa de um sistema circulatório, destacando-se no Brasil o transporte rodoviário por ser mais barato. No entanto, o crescimento da população, aliado a outros fatores, fez com que o deslocamento nas cidades se tornasse um problema, com congestionamentos quilométricos, o paulistano, por exemplo, gasta em média anualmente 45 dias no trânsito, segundo os dados do Mundo Educação. Dessa forma, faz-se necessária a discussão dos entraves da mobilidade urbana no país, problemas retrógrados a serem combatidos.

Primordialmente, o principal desafio a ser erradicado é a dependência dos automóveis. Nesse ínterim, na década de 50, durante o governo de Juscelino Kubitschek, a indústria automobilística foi impulsionada em detrimento da ferroviária e fluvial, ocasionando inchaço no trânsito. Além disso, tem-se a falta de políticas públicas que invistam em infraestrutura e planejamento estratégico no setor de transportes coletivos como motivadores pela busca de veículos individuais. Por conseguinte, isso dificultou o escoamento de produtos e a dinâmica do setor de serviços, diminuindo o crescimento econômico e social das cidades.

Outrossim, o alto impacto ambiental também é um obstáculo a ser enfrentado. Nesse sentido, o sistema de circulação desorganizado, com participação inexpressiva de metrôs e de veículos leves sobre trilhos, é mais poluente. Isso porque implica mais congestionamentos, prejudicando a qualidade do ar e violando o Acordo de Paris e o Protocolo de Kyoto devido à emissão de gases poluentes. Assim, aumenta-se os gastos do governo com hospitais e medicamentos em virtude da maior ocorrência de problemas respiratórios. Sem dúvidas, a ineficiência da mobilidade urbana impacta negativamente a qualidade de vida dos indivíduos e o meio ambiente.

Mediante os fatos elencados, medidas são imprescindíveis para resolver os impasses. Por isso, cabe ao Ministério do Transporte, através de uma parceria com o setor privado, investir maciçamente e de forma regular em transportes ferroviários e fluviais, diversificando os meios de deslocamento visando acabar com o domínio dos automóveis e melhorar a qualidade do ar. Também com esses fitos, é fundamental que a administração municipal que realize sistemas de rodízio e priorize os veículos de massa, como ônibus e metrôs, oferecendo eficiência e conforto. O Rio de Janeiro, por exemplo, inaugurou o VLT, trem que vai dinamizar o fluxo no centro e na região portuária da cidade. Aliado a isso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação precisa fornecer recursos para pesquisas de criação de transporte que utilizem outras formas de energia, reduzindo os impactos ambientais.