Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 07/08/2026
A mobilidade urbana é definida como as condições oferecidas pelas cidades para a livre circulação dos habitantes dentro do território. Todavia, no Brasil contempo-râneo, é evidente que há desafios para garantir uma movimentação de qualidade nas localidades e é inaceitável que esses problemas se perpetuem. Assim, a plena mobilidade urbana não é garantida pela falta de acessibilidade nos municípios e afeta diretamente a saúde mental da população.
Sob esse viés, a ausência de adaptação para pessoas com deficiência (PcD) impe-de uma mobilidade de qualidade no país. Partindo dessa lógica, o escritor Achille Mbembe, na sua teoria da necropolítica, concluiu que o Estado marginaliza o bem-estar da parcela social mais vulnerável. Sabendo disso, a precariedade das estrutu-ras para as PcD nos espaços públicos — como, por exemplo, rampas de acesso e piso tátil em calçadas — dificulta a locomoção desses cidadãos nos municípios. Consequentemente, tal negligência impede a realização de suas tarefas cotidianas, interferindo na plena participação de todos os brasileiros em sociedade.
Outrossim, a precariedade da movimentação urbana pode causar problemas na saúde mental dos brasileiros. Na música “Construção”, Chico Buarque evidencia o desprezo que o trabalhador sofre no cotidiano acelerado dos centros urbanos. Ao trazer o verso “Morreu na contramão atrapalhando o tráfego”, nota-se que o sujei-to é vítima do descaso popular mesmo no seu pior estado. Dentro dessa análise, o ritmo exaustivo das cidades, resultante da falta de estrutura para uma mobilidade metropolitana de qualidade, estressa e deprime os indivíduos em sua rotina e, co-mo consequência, prejudica seus vínculos interpessoais, seu rendimento no traba-lho e a sua disposição para atividades de lazer.
Em suma, é primordial garantir que o deslocamento urbano do Brasil seja acessí-vel e de qualidade. Então, é dever do Estado, responsável pela integridade do povo, responsabilizar as prefeituras pela inclusão de todos os cidadãos, mediante a insta-lação de pisos táteis e rampas em quaisquer ambientes públicos, com a finalidade de que as PcD consigam se locomover com dignidade. Ademais, cabe ao respectivo agente reduzir o fluxo exacerbado de veículos individuais nas rodovias, por meio do investimento em um transporte público de qualidade.