Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 18/06/2018

“Governar é abrir estradas”. O famoso lema foi utilizado pelo presidente Washington Luis durante o seu governo, no qual iniciaram-se os primeiros investimentos na construção de rodovias brasileiras. Entretanto, nesse ínterim, houve grande desenvolvimento do país, o que ocasionou considerável crescimento populacional e aumento da frota de veículos particulares, gerando o “inchaço” nas grandes cidades. Desse modo, a ausência de planejamento urbano e a prioridade pelos veículos particulares são fatores de acarretam a dificuldade de mobilidade citadina.

A mobilidade urbana é a condição desenvolvida para a locomoção de pessoas de um ponto ao outro, dentro da cidade. Todavia, tal circunstância encontra-se prejudicada no Brasil, principalmente no que tange as grandes metrópoles, como a cidade de São Paulo, em que um cidadão gasta 45 dias de seu ano parado no trânsito, segundo pesquisa realizada pelo Ibope em 2016. Retroagindo na história, pode-se citar que, após a crise de 1929, houve um rápido processo da industrialização brasileira que forçou a construção de inúmeras rodovias para suprir as necessidades do mercado industrial. Contudo,  não foram feitos tantos investimentos no planejamento do espaço urbano, a fim de comportar o crescimento do fluxo de veículos que viria a acontecer em um futuro próximo.

Outra fator que merece atenção é a expansão do número de veículos por habitantes, sendo em torno de um veículo para cada cinco pessoas. Diante desse contexto, vale ressaltar que o transporte público de má qualidade é uma das causas de preferência da população em utilizar veículos particulares à ônibus ou metrôs. É observado que nas grandes metrópoles, não há número suficiente de meios públicos de locomoção, acarretando superlotação e atrasos para quem necessita utilizá-los. Ademais, como supracitado, historicamente o país concentrou seus investimentos na malha rodoviária,  não desenvolvendo redes ferroviárias e metroviárias suficientes para promover a locomoção dos cidadãos.

Destarte, é de suma importância que o Governo invista maciçamente na melhoria do transporte público, com o aumento do número de ônibus e metrôs, principalmente em horários de pico. Outra proposta é a parceria entre empresas privadas de mobilidade urbana e o Governo, a fim de investirem em transportes alternativos, como a bicicleta, incentivando seu uso através da construção de mais ciclofaixas seguras e que conectem todos os pontos citadinos. Dessa forma, com a união das esferas pública e privada pode-se vislumbrar o início de uma pequena mudança que trará profundas modificações na mobilidade urbana brasileira.