Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 09/04/2019
Compreendida como um conjunto de políticas de transporte e de circulação, a mobilidade urbana visa, por meio de maneiras efetivas, socialmente inclusivas e ecologicamente sustentáveis, proporcionar o acesso amplo e democrático para os cidadãos aos seus locais desejados. Entretanto, o que se nota, sobretudo, no Brasil, são gargalos cada vez mais estreitos ao pleno funcionamento desse tipo de locomobilidade, implicando graves problemas à saúde e à segurança dos civis, que são diretos sociais assegurados a eles pela Constituição nacional. Visto isso, a omissão dos órgãos competentes brasileiros frente a esse tema torná-se inviável e inconstitucional.
De acordo com a reportagem divulgada pelo site “G1”, os habitantes da cidade de São Paulo perdem cerca de 45 dias do ano no trânsito. Essa atual conjuntura vivenciada, principalmente pelas grandes metrópoles, é reflexo do modelo rodoviarista, implantado e impulsionado, no século XVIII, pelo então presidente Juscelino Kubitscheck; do êxodo rural, que propiciou uma ocupação não planejada e desordenada do espaço urbano e da ascensão econômica, no século XXI, das classes médias e baixas. Dessa forma, a monopolização do modal rodoviário, o crescimento populacional no meio urbano, a necessidade desses cidadãos de se locomoverem, especialmente para o trabalho, a melhoria das condições financeiras de alguns e, também, a péssima qualidade dos transportes públicos obrigam alguns indivíduos a adquirirem veículos particulares.
Assim, com o aumento dos transportes próprios, há um inchaço exorbitante no trânsito, que dificulta o acesso dos cidadãos e dos veículos de carga às áreas pretendidas, já que estes gastarão mais tempo para chegarem aos seus destinos, o que pode acarretar, respectivamente, em perca de compromissos e de produtos, principalmente, os perecíveis. Além disso, outras consequências desse aumento do número de veículos são aquelas ligadas à saúde pública. Dentre elas, o estresse, advindo das extensas horas passadas no trânsito; os acidentes, devido ao grande fluxo de transportes automotores e a péssima sinalização da faixas de trânsito; e os problemas respiratórias, proveniente das emissões de poluentes da combustão dos combustíveis.
Em vista disso, cabe aos órgãos competentes melhorar a infraestrutura das vias, alargando e sinalizando-as e investir em programas de compartilhamento de bicicletas, aliando, desta maneira, a segurança aos civis e o desenvolvimento sustentável. Compete também ao governo brasileiro a diversificação de modais, ampliando, por exemplo, linhas férreas, a fim de possibilitar aos cidadãos uma melhor qualidade e variedade de locomoção. Quanto às instituições escolares, concerne conscientizar, desde cedo, aos seus docentes acerca da importância ambiental do uso de transportes públicos.