Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 30/06/2018
Gilberto Dimenstein, célebre jornalista brasileiro escreveu sua obra “O cidadão de papel” em torno da tese de que a Carta Magna resguarda vários direitos à população, porém eles estão limitados as folhas de papel. Em consonância com seu pensamento, observa-se que embora garantida por lei, a mobilidade urbana encontra inúmeras dificuldades para se tornar uma realidade presente e desfrutada no cotidiano de todos no país. Com efeito, uma ação conjunta entre autoridades públicas e sociedade sobre os caminhos para alcançar tal premissa é medida que se impõe.
A princípio, ressalta-se que o alto custo de manutenção dos transportes públicos, somado a sua ineficiência, são grandes embates enfrentados pela locomoção nas cidades. Partindo dessa assertiva, analisa-se que os cidadãos, buscando um meio de se movimentar, optam pelos veículos privados ou executivos - essa última modalidade vem crescendo no Brasil devido à prestação de serviços como o Uber. Entretanto, todas essas alternativas estão restritas as rodovias, o que agrava os problemas de fluidez do trânsito. Dessa maneira, é explicita a percepção de que a infraestrutura urbana carece de investimentos eficazes no que tange a mobilidade.
É válido salientar, em segundo plano, que o processo de urbanização brasileiro ocorreu acompanhado de um rápido crescimento urbano. Esses fenômenos estão intimamente relacionados ao intenso número de veículos e aos congestionamento, ambos responsáveis pelo aumento de emissão de dióxido de carbono na atmosfera. Esse gás corrobora para o aquecimento global que, segundo cientistas, está ligado a outros impactos (como a acidificação e o aquecimento dos oceanos) os quais geram o desaparecimento da biodiversidade marinha e, consequentemente, desequilíbrio ecológico. Assim, melhorar as condições do fluxo de pessoas nas cidades é também zelar pelo meio ambiente.
Torna-se evidente, portanto, que a mobilidade urbana, além de enfrentar vários desafios, traz muitos imbróglios ao país. Sendo assim, cabe ao Ministério do Transporte explorar outras modalidades de locomoção, como ferrovias e hidrovias, de modo que haja aplicação de verbas em meios alternativos de transporte, ampliando as opções e reduzindo os impactos trazidos pelo rodoviário. Ademais, os ambientalistas, por sua vez, e em parceria com a mídia devem incentivar o uso de veículos coletivos, o compartilhamento de privados e ainda o uso de transportes verdes (como bicicletas) para percursos de curta distância, a fim de que a emissão de gases estufa seja reduzida e a fluidez do trânsito aumente. Por fim, é sonhado um Brasil em que o direito a locomoção não esteja restrito ao papel, e isso só será possível com a adoção de medidas pelo Estado e pelos filhos da pátria brasileira.