Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 18/07/2018
O 1°de junho de 2012 ficou marcado por um triste recorde: a cidade de São Paulo (SP) registrou em suas ruas o maior índice de lentidão da história do Brasil, 295 km de morosidade. O recorde é um triste exemplo agudo da situação caótica enfrentada pelos habitantes dessa cidade e de tantas outras no país. Nessa perspectiva, é possível identificar significativas causas da problemática, como o excesso de veículos individuais e a cultura do país, impossibilitando o bem-estar coletivo.
É relevante abordar, primeiramente, que os desafios da mobilidade urbana tem como um dos pilares motivadores o elevado número de transportes individuais. Entre os anos de 2002 e 2012, segundo dados do Observatório das Metrópoles, enquanto a população brasileira aumentou 12,2%, o número de veículos registrou um crescimento de 138,6%. Um dos principais motivos é que veículos privados ainda são vistos como um símbolo de status e representa um objetivo de consumo para muitas pessoas. Dessa forma, contribui para o aumento dos congestionamentos e da lentidão no trânsito.
Outrossim, vale ressaltar que outro fator preponderante para a continuidade da problemática é a própria cultura do país. Apesar de algumas cidades, especialmente Rio Branco, capital do Acre, que apresenta um grande diferencial no quesito mobilidade urbana, por possuir a maior rede cicloviária per capita do país, o Brasil não tem hábito de usar bicicletas, como alternativa para deslocamento. Mesmo trazendo inúmeros benefícios para a saúde, reduzir a emissão de gases na atmosfera, e ser bastante positivo para o tráfego nas grandes cidades, a utilização de bicicletas não é evidenciada como deveria. Logo, é de suma importância alternativas para alterar esse cenário .
Destarte, a questão de mobilidade vai muito além do trânsito: envolve muita criatividade. É fundamental, portanto, que a mídia, como o principal veículo de informação, promova campanhas, mostrando medidas, como a carona solidária e o uso dos transportes públicos, quando possíveis, com o intuito de diminuir o número de veículos nas ruas. Ademais, é crucial que o Governo incentive a utilização das bicicletas como meio de transporte, através da construção de ciclovias, ciclofaixas e pontos para aluguel de bicicletas, a fim de potencializar a utilização dos espaços públicos. Com isso, irá melhorar a circulação e a qualidade de vida nas cidades.