Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 08/11/2018
A mobilidade urbana é atualmente um dos maiores problemas das cidades brasileiras. O imenso número de automóveis, sobretudo os que são ocupados por uma única pessoa, provoca o caos diário em metrópoles. Isso porque, de acordo com o Observatório das Metrópoles, as doze principais capitais brasileiras tinham em 2011 cerca de 20 milhões de veículos. Percebem-se, portanto, impactos no meio ambiente, na saúde pública e na qualidade de vida, que pioram com o crescimento das cidades.
Primeiramente, verifica-se que a reestruturação dos sistemas de transporte e a valorização do pedestre são soluções para o tema. Todos os dias, os habitantes das grandes cidades enfrentam seu drama diário de deslocamento de casa ao trabalho ou à escola. O crescente número de carros nas cidades é explicado pela precariedade dos transportes públicos, pelo aumento da renda média e pelo acesso facilitado ao crédito para aquisição de automóveis. Contudo, não ocorreu uma expansão da infraestrutura urbana necessária para acomodar tantos veículos, mas persiste na cultura brasileira o fascínio pelo automóvel, fruto de uma política histórica de estímulo à aquisição desse bem, em detrimento de outras formas de transporte, como o simples caminhar ou andar de ônibus.
Além disso, segundo dados do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), o tempo médio gasto em deslocamentos diários em São Paulo é de duas horas e cinquenta e nove minutos. O estresse causado pelo considerável tempo de exposição ao trânsito prejudica a qualidade de vida. A poluição gerada pela queima contínua de combustíveis fósseis contribui para a má qualidade do ar nas grandes cidades, para a ocorrência de doenças respiratórias decorrentes da inspiração de poluentes e para danos ao meio ambiente.
Logo a solução desses problemas parte sobretudo do planejamento da mobilidade urbana de longo prazo. O Ministério dos Transportes e o Ministério das Cidades devem constituir um Plano Nacional de Mobilidade Urbana em parceria com as secretarias municipais de transportes. Neste plano, as prefeituras recebem recursos e consultoria especializada para propor e executar soluções para problemas locais de mobilidade. É prioritário que as cidades devem ser devolvidas pelos carros aos pedestres. As insistentes tentativas de inserir a bicicleta como meio de transporte nas cidades brasileiras não são viáveis, pois dependem de um movimento cultural que pode levar muito tempo para solucionar uma demanda urgente da sociedade. Pressupõe aqui a mudança do modelo mental do carro no trânsito pela liberdade de pedestre. O direito de ir e vir, bem como a liberdade de escolha em seu tempo livre, é fundamental em qualquer democracia. A redução do tempo no trânsito e dos efeitos da poluição são importantes para a melhoria da qualidade de vida nos grandes centros urbanos.