Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 30/07/2018

Um dos mais expressivos desenvolvimentos industriais ocorridos no Brasil foi durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, destacando-se, principalmente, a indústria automobilística. Dessa maneira, a curto prazo a economia do país obteve  expressivos aumentos, mas a longo prazo tiveram resultados ruins, como o grande desafio da mobilidade urbana, seja pela carência de organização estrutural, seja devido à herança cultural materialista.

Nesse contexto, nota-se historicamente o mau planejamento dos sistemas de transportes como um dos motivos responsáveis por ocasionar esse problema. Ao partir dessa perspectiva, conforme o ex-presidente Washington Luís, um dos papéis de um governador é povoar, mas só é possível caso ocorra a construção de estradas. No entanto, ele não previa a ocorrência de um grande crescimento populacional e, consequentemente, uma maior dependência dos automóveis responsáveis pelos grandes congestionamentos, em detrimento dos outros modais de locomoção,

Ademais, convém compreender a causa do desafio da mobilidade relacionado ao comportamento social. Sob tal aspecto,  Zygmunt Bauman cria o conceito de “modernidade líquida” para descrever fluidez das relações sociais, características da contemporaneidade. Diante desse pensamento, evidencia-se o aumento do número de veículos rodoviários ocupadas por apenas uma pessoas,  que contribui ainda mais com o trânsito urbano, associado a uma construção social de idealização da compra de um carro como um símbolo de sucesso, pois os indivíduos, em sua maioria, não buscam refletir acerca dos impactos causados pelas suas ações, fortalecendo, assim, a ideia do individualismo.

Urge, portanto, a necessidade de medidas capazes de melhorar a mobilidade urbana no Brasil. Posto isso, é imprescindível que o Governo federal busque incentivar o uso de outros meios de transporte, de maneira rápida, através, por exemplo, da implantação de projetos as quais disponibilizem bicicletas em determinadas áreas da cidade que a população possa utilizar e devolver gratuitamente e, a longo prazo, redefinir o planejamento de locomoção, priorizando os modais ferroviários, aéreos e aquaviários. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação a criação de um projeto escolar de desconstrução do pensamento da população pós moderna, relatada por Bauman, por meio de uma maior valorização de disciplinas as quais incentivem o pensamento crítico e reflexivo, como a filosofia e sociologia, aumentando a carga horária obrigatória.