Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 10/07/2018
“País rico não é o que pobre anda de carro, mas sim aquele que o rico anda de transporte público”. A frase proferida pelo político brasileiro Augusto Nardes infere sobre os desafios do crescimento urbano e o transporte público no Brasil. Ademais, a urbanização desordenada afastou os cidadãos para locais distantes e estimulou a preferência por transportes individuais. Nesse contexto, convém analisar como a segregação socioespacial e o aumento de veículos automotores representa um desafio para a mobilidade urbana brasileira.
Inicialmente, cabe ressalta que, pensar em deslocamento da população nas cidades é pensar, consideravelmente, na redução da segregação socioespacial. Nesse âmbito, de acordo com a Revista Discussão - do Senado Federal - no Distrito Federal, os mais pobres gastam o dobro do tempo dos mais ricos para chegar ao trabalho. Não há dúvidas de que a população brasileira de menor renda é isolada e, infelizmente, possui acesso precário e restrito ao transporte público, assim como, são prejudicados o seu direito à cidade e sua qualidade qualidade de vida.
Além disso, o número de carros no Brasil tem aumentado, substancialmente, como aponta Augusto Nardes. Por esse motivo, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), 54% da população brasileira já possui veículo motorizado em casa. É inquestionável notar que a compra de carros não reduziu, significativamente, os problemas de deslocamento, pelo contrário, intensificou.
Dessa forma, para garantir a igualdade na mobilidade urbana, é necessário, portanto, maior atuação do Estado. Nessa perspectiva, o Governo Federal deve, por intermédio do Ministério das Cidades, investir no transporte público por meio da compra de novas frotas para as cidades periféricas, assim como, integrar esses veículos com pontos de bicicletas e ciclovias nos principais percursos. Espera-se, com isso, incentivar o uso do transporte coletivo e possibilitar uma cidade menos poluída e equânime.