Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 12/07/2018
Nos gibis, o herói Superman possui a capacidade de voar, e devido a esse talento ele pode se locomover rapidamente para salvar pessoas em perigo. Fora dos quadrinhos, a realidade é outra, visto que, conquanto, os seres humanos não podem voar, eles encontram nos automóveis o seu principal meio de locomoção. Contudo, a priorização desse modelo de transporte, resulta na crise da mobilidade urbana no Brasil, gerando, dessa maneira, consequências impactantes na vida da população e para o meio ambiente, tornando-se imprescindíveis mudanças para resolver a situação.
Mormente, ao avaliar o caos da mobilidade urbana por um prisma estritamente histórico, nota-se que fenômenos decorrentes do século XX ainda perpetuam na atualidade. Sob tal ótica, é indubitável que outrora, a decisão econômica do governo JK de priorização do modelo rodoviário, impactaria profundamente a vida da população urbana brasileira de gerações vindouras. Dessarte, consequentemente, as cidades vem enfrentando, atualmente, a crise da mobilidade urbana, haja vista que a motorização individual não para de crescer nas metrópoles e, desta forma, resulta em enormes engarrafamentos e atrasos nas atividades cotidianas. Outrossim, o aumento da frota de automóveis amplia, concomitantemente, a emissão de dióxido de carbono (C02), contribuindo para a intensificação do efeito estufa e resultando no agravamento do aquecimento global, além do surgimento de doenças respiratórias e cardiovasculares.
Todavia, a problemática está distante de chegar a um desdobramento final. Consoante Enrique Peñalosa - ex prefeito de Bogotá - melhorar ou não o trânsito de uma cidade só depende de uma coisa: decisão política. Logo, partindo desse pressuposto, percebe-se que, não obstante, as metrópoles não ter infraestrutura eficiente para abranger grandes quantidades de automóveis, não há uma política efetiva do governo para realizar reformas e investir em transportes em massa para reverter essa situação. Destarte, observa-se nas cidades poucos corredores de ônibus - fazendo com que as pessoas fiquem mais tempo no trânsito - e as precariedades dos transportes coletivos - fazendo com que as pessoas priorize os automóveis individuais em virtude da comodidade.
Torna-se evidente, portanto, que o caos da mobilidade urbana está relacionado a questões políticas e, assim sendo, precisa ser combatida. Como forma de garantir isso, cabe a prefeitura, em parceria com o Ministério dos Transportes, investirem nos transportes em massa, por meio da criação de mais corredores para os ônibus e o investimento em melhorias no que tange a comodidade dos transportes coletivos. Desse modo, o percurso realizado pelos transportes de massa será mais rápido e confortável, fazendo com que a população abdique dos transportes individuais e optem pelos coletivos.