Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 17/07/2018

O vertiginoso processo de urbanização irrompido a partir da década de 1950 na sociedade brasileira tornou impotente o sistema de locomobilidade dos centros urbanos para atender aos deslocamentos populacionais.Tal desvantagem prejudica a fluidez dos modais de transporte,haja vista a segregação socioespacial entre pessoas e serviços,bem como a baixa infraestrutura viária aliada à valorização da “cultura do carro”.Desse modo,é pertinente analisar como esses desafios influem negativamente a mobilidade urbana no Brasil.

De início,vale destacar como a dificuldade do funcionamento dos transportes perpassa pela segmentação urbana.Assim como na canção " A cidade" de Chico Science em que tematiza o processo de marginalização,a população é gradualmente expulsa dos centros urbanos em direção às periferias,devido à valorização imobiliária.Tal processo aglomera a oferta de empregos e de serviços às regiões centrais da cidade,impelindo a necessidade do transporte público coletivo que atenda,de forma constante,à demanda de deslocamentos.Todavia,não houve por parte do Estado articulação das linhas de ônibus e de metrôs.

Ainda,pontua-se o quão é desintegrada a infraestrutura da malha rodoviária,já que se verificam superlotações nos ônibus e metrôs,sucateamento dos terminais e,ainda,áreas de grande movimentação de veículos sem duplicação.Segundo dados do Ministério dos Transportes,o investimento em estrutura viária é de 0,8% do PIB,percentual esse que revela a ausência de aportes e a realidade de precariedade do sistema de transporte público.Devido a semelhantes problemas,a preconização do automóvel,auxiliada pela construção midiática e pelo incentivo à compra do bem,colaborou para que grande parcela da sociedade preferisse o transporte motorizado individual ao público.

Por conseguinte,para suprimir a defasagem do sistema de mobilidade urbana no Brasil,cabe ao Ministério das Cidades,junto aos governos estatuais,fomentar e efetivar planos estruturadores que criem e aprimorem corredores de ônibus,duplicações de vias movimentadas,ciclofaixas e os próprios utilitários coletivos,dando suporte à circulação de pessoas e amainando a lógica segregacionista.Para financiar tais medidas,o Governo Federal deve penalizar o uso constante do automóvel nas áreas metropolitanas,por meio da instalação de chips nos veículos que informem a uma central quando o carro ultrapassou o limite de entrada no centro urbano,possibilitando a taxação sobre o IPVA.