Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 23/07/2018

“Stop! A vida parou ou foi o automóvel?” Esse versos escritos ainda no século passado pelo poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade parecem uma profecia para os dias atuais. Recentemente, o Brasil enfrenta grandes problemas na mobilidade urbana: congestionamentos quilométricos de veículos, falta de acessibilidade, aumento da poluição atmosférica e ainda números crescentes de acidentes e violência no trânsito. Nesse contexto, dois entraves principais precisam ser analisados para solucionar essa problemática: a preferência pelos transportes individuais e a má qualidade dos transportes públicos.

Em primeira análise, foi a partir de 1956, no governo de Juscelino Kubitschek que medidas foram implantadas para atrair montadoras de veículos ao Brasil (expandindo o número de automóveis) e grandes investimentos foram destinados ao modal rodoviário, priorizando-o, e  assim, deixando de lado incentivos a outras formas de locomoção. Para além disso, devido ao fato da maioria das cidades brasileiras não serem planejadas, possuem ruas e calçadas estreitas e íngremes, má divisão de quarteirões, entre outras adversidades, a locomoção por meios ecologicamente limpos, como a bicicleta, ou mesmo andar apé é dificultada.

Em segunda análise, a má qualidade dos transportes públicos e a falta de segurança - tanto dentro deles como nas áreas de espera - comprometem o bem-estar daqueles que os utilizam. Concomitantemente a isso, a falta de integração entre diferentes modais prejudicam ainda mais o trânsito, a medida em que o tempo de deslocamento e as viagens se tornam maiores.

Evidencia-se, portanto, que é imprescindível a ação governamental diante desse entrave social. É papel do Ministério das Cidades junto as prefeituras municipais traçar metas e planejamentos urbanos em prol do incetivo ao uso de transportes coletivos (melhorando-os com aumento de frotas acessíveis e mais confortáveis) e também, a criação de mais ciclovias seguras e integradas como um todo aos diversos bairros a fim de minimizar a preferência por carros e aumentar a qualidade de vida nas cidades. Só assim, os versos de Drummond não serão mais uma realidade do Brasil.