Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 25/07/2018

Na célebre obra “A Autoestrada do Sul”, do escritor argentino Júlio, o autor disserta sobre a rotina diária de um engarrafamento que dura anos, a qual reflete sua opinião de que “os congestionamentos são um dos signos mais negativos da sociedade”. De maneira análoga, hodiernamente, no que concerne à mobilidade urbana, a ideia exposta por Júlio é reflexão do que acontece em diversas estradas do Brasil. Desse modo, fatores como a exacerbada frota de veículos, somada à herança histórica da política rodoviarista do país, são assuntos os quais devem ser postos em primeiro plano.

Em primeira análise, cabe pontuar que a Constituição Cidadã de 1988 garante aos brasileiros o direito de ir e vir. No entanto, contrariando essa promulgação do quinto artigo, o exorbitante número de veículos em rotas urbanas, muitas vezes, potencializa as entraves concernente à mobilidade, haja vista que houve uma significativa melhoria da renda da população das classes baixa e média, a qual fortaleceu as compras de novos carros. De outro modo, a busca por novos automóveis pode ser justificada pela baixa qualidade dos transportes públicos, seja pelo constante aumento das passagens, seja pela falta de qualidade dos serviços prestados.

Outrossim, convém frisar que a falta de planejamento governamental para a construção das rotas urbanas, corrobora para as falhas da mobilidade urbana no Brasil, visto que o país foi exposto às políticas rodoviárias há décadas atrás, as quais foram base para a construção de rodovias de maneira inadequada. Ademais, uma justificativa também relevante no que concerne os problemas das estradas do Brasil, está na falta de ciclovias nas cidades brasileiras, as quais são consequências da falta de planejamento urbano. Nesse ínterim, motoristas são expostos diariamente ao estresse do congestionamento, e ciclistas estão sujeitos aos acidentes nas vias públicas. Segundo Thomas Hobbes, portanto, a intervenção estatal é necessária, como forma de proteção dos cidadãos de maneira eficaz.

Dessa forma, diretrizes que formulem a mudança dos problemas expostos acerca da mobilidade no Brasil são necessárias. Dessarte, o Governo Federal, aliado ao poder persuasivo da mídia, deve promover campanhas alusiva de caráter altruísta, como a “Carona Solidária”, já presente em algumas cidades do país, a fim diminuir o número de carros nas rodovias. Isso poderá ser feito pelo uso de linguagem apelativa e com pessoas conhecidas no âmbito social. Além disso, os governos municipais devem ampliar a qualidade dos serviços prestados pelos transportes públicos, a fim de torná-los mais aptos a atender toda a sociedade, e alargar a construção de novas ciclovias, para que, assim, haja uma melhora no que diz respeito aos acidentes provocados pelo excesso de carros. Desse modo, o Brasil poderá viver a “ordem e o progresso” citados na bandeira nacional.