Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 08/08/2018

No Brasil, durante o governo do ex-presidente Washington Luís, houve a criação do lema “governar é abrir estradas”. Hodiernamente, nota-se que a frase converge com a questão da mobilidade urbana, a qual tem gerado problemas para a população, seja pela falta de planejamento do Estado ao desenvolver os centros urbanos, seja pela falta de incentivo a outros meios de transporte. Destarte, é conveniente a análise desses entraves e de como solucioná-los.

Em primeiro lugar, é mister salientar que o congestionamento excessivo no país ocorre porque há muitos carros circulando em vias públicas, o que é resultado do mau planejamento do Estado nesse setor. Tal fato é explicado por conta da cultura rodoviária implementada no Brasil durante seu período de urbanização, em que foram instaladas empresas automobilísticas no país para que a economia nacional viesse a progredir. Entretanto, por conta do modal rodoviário ser o único a se desenvolver, consoante com a falta de planejamento do Governo Federal para abrigar os milhares de brasileiros que migraram para os centros urbanos, houve um aumento exacerbado de veículos nas estradas, que resultou, por fim, no congestionamento excessivo presente no cotidiano de muitos brasileiros.

Outro aspecto a ser abordado é a falta de alternativas para transporte público no Brasil. No país, considera-se um “privilégio” possuir um automóvel particular, porém, nota-se que tal atitude da sociedade resulta em engarrafamentos quilométricos em diversas cidades, como ocorre em São Paulo, em que os cidadãos levam, em média, cerca de 40 minutos para chegarem ao seu destino. Essa celeuma poderia ser resolvida se o governo incentivasse o uso de outros meios de transporte, como as bicicletas, que, além de resultarem em uma prática saudável, ocupam menos espaço que um carro, e os ônibus, que, por abrigarem um grande número de pessoas, diminuem o engarrafamento nas vias.

Logo, o Ministério das Cidades deve, por meio de investimentos do Ministério da Fazenda, promover projetos que visem o investimento em ciclovias, como ocorreu na Espanha, em que a população aderiu ao uso de bicicletas para melhorar sua mobilidade urbana, e a melhoria na infraestrutura dos transportes públicos, tal qual a compra de novos ônibus — principal meio de transporte coletivo no país — para cidades que carecem desses automóveis e a criação de faixas exclusivas para sua locomoção, com intuito de atenuar o congestionamento nos centros urbanos. Outrossim, é necessário que o ministério supracitado determine pedágios para o uso do transporte individual, como ocorre na Inglaterra, para que o número de veículos “desnecessários” nas ruas diminua e se tenha um maior incentivo para população aderir aos transportes alternativos. Assim, o problema da mobilidade urbana será mitigado e, por conseguinte, o país caminhará em direção a um futuro próspero.