Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 05/08/2018

No governo de Juscelino Kubitschek foi implantada a política de integrar o Brasil por meio da construção de rodovias e ao mesmo tempo atrair empresas internacionais do ramo automobilístico. Tal fato contribuiu para o aumento massivo de veículos nos centros urbanos e para o desenvolvimento de problemas de mobilidade urbana, o que salienta a necessidade de uma discussão acerca dos desafios relacionados a essa realidade. Dessa forma, a falta de planejamento estatal e o individualismo social estão diretamente relacionados à problemática.

A princípio, destaca-se que os governantes brasileiros ao planejar e estruturar a malha rodoviária das cidades não levaram em consideração o crescimento exponencial de veículos ocasionado, dentre outros fatores, pelo estímulo ao consumo por meio de maior disponibilidade de crédito para financiamentos. Segundo Milton Santos, os problemas de deslocamento nas cidades são uma das consequências de uma atitude governamental em favorecer os interesses econômicos das montadoras de veículos e ignorar as consequências negativas dessa política, como o aumento dos engarrafamentos e emissão de gases poluentes. Portanto, é evidente que a atual gestão rodoviária e política econômica dos representantes eleitos pela população é prejudicial ao fluxo dos meios de transporte e pessoas.

Ademais, ressalta-se que o fato de grande parcela da sociedade brasileira dar maior importância ao benefício próprio em detrimento do coletivo está relacionado com os problemas de mobilidade urbana. Isso, consoante com a filosofia helenística de que com o coletivismo não é possível a felicidade e que o mais importante é o interesse individual, ocorre pois muitas pessoas preferem o conforto de um automóvel, por exemplo, do que adotar atitudes sustentáveis e que contribuam para o fluxo urbano, como andar de bicicleta e optar pelo transporte público. Desse modo, esse contexto demonstra que a subjetividade prejudica o indivíduo e toda a comunidade a qual ele está inserido.

Urge, destarte, que ações sejam realizadas para combater os desafios da mobilidade urbana no Brasil. Mormente, o Ministério dos Transportes, em parceria com o Poder Legislativo, deve aprimorar a gestão rodoviária, por meio da elaboração de uma lei que estabeleça uma proporcionalidade dos veículos que podem ser vendidos de acordo com a quantidade da população dos centros urbanos. Dessa maneira, o objetivo é fazer com que o tráfego seja subordinado à capacidade das vias. Concomitantemente, cabe às prefeituras estimular o uso de meios de locomoção alternativos, por intermédio da construção de mais ciclovias e da redução de impostos para as empresas de transporte público para que haja condições de reduzir o preço das tarifas cobradas. Assim, será possível incentivar os cidadãos a usarem menos seus automóveis e mitigar os atuais transtornos da mobilidade urbana.