Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 14/08/2018

De acordo com dados de 2013 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), na lista das dez cidades com maior tempo de deslocamento, cinco são brasileiras. Por isso, a locomobilidade nos grandes centros urbanos do país mostra-se comprometida e carece, urgentemente, de medidas resolutivas. Nessa perspectiva, é importante pensar os obstáculos para a melhora desse cenário, bem como os possíveis meios para contorná-los.

Por certo, a ineficiência no planejamento do uso racional dos espaços urbanos por parte dos gestores públicos gera um sistema de transporte colapsado. Nesse contexto, uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, com três mil e seiscentas pessoas de seis regiões metropolitanas, expõe uma insatisfação generalizada da população: mais de 70% dos entrevistados estão, no mínimo, insatisfeitos com a situação do transporte público no Brasil. Ressalta-se ainda, na pesquisa, que apesar de nos últimos anos a vida dos brasileiros terem melhorado “da porta para dentro”, o lado de fora ainda transtorna boa parte dos cidadãos.

Não obstante a isso, a priorização histórica à indústria automobilística por parte dos governos dificulta, consideravelmente, mudanças comportamentais de autoridades e indivíduos que combatam a problemática do caos das vias urbanas. Sob esse viés, em 1934, a preferência ao transporte rodoviário dado pela Constituição e, a partir de 1956, o estímulo governamental aos veículos automotores, ilustram o crescimento dos carros e motocicletas nas ruas do Brasil. Dessa maneira, o sistema de transporte atual – individualizado – permite, apenas, que poucas pessoas ocupem grandes espaços.

Evidenciam-se, portanto, contrariedades no que tange à mobilidade urbana no Brasil. Para minorá-las, os Ministérios das Cidades e do Desenvolvimento da Indústria, Comércio Exterior e Serviços devem, por meio da expansão de zonas comerciais e industriais e melhorias de infraestrutura, promover o desenvolvimento regional, ultrapassando as fronteiras dos grandes centros, além de instituir um sistema intermodal, a fim de reduzir os deslocamentos de cargas e pessoas necessários no dia a dia e estimular o uso do transporte coletivo. Espera-se, com tais ações, cidades com espaços melhores aproveitados, democráticos e que possibilitem a circulação de seus cidadãos sem muitos entraves.