Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 07/08/2018
Com o crescimento da indústria automobilística brasileira do século XIX, iniciou-se um processo de aumento significativo do tráfego no país. Hodiernamente, contudo, a alta densidade de automóveis no trânsito acarreta a geração de desafios de mobilidade urbana. Com efeito, esse fato se deve à subutilização dos meios alternativos de locomoção e à falta de estrutura quantitativa e qualitativa do transporte público comunitário para substituir o individual.
Constata-se, a princípio, que a baixa utilização dos meios alternativos de transporte deve-se à ausência do estímulo governamental em prol da coletivização dessa prática. Nesse ínterim, consoante ao ideal weberiano de ação social tradicional e ao princípio de exteriorização dos fatos sociais proposto pelo sociólogo Émile Durkheim, entende-se que, após o estabelecimento de um projeto de incentivo ao uso de veículos não motorizados, o ato tende a se difundir pela sociedade e se constituir como um costume. Portanto, depreende-se que a superação dos problemas de mobilidade urbana no Brasil requer a ação de forças governamentais para a alteração da dinâmica populacional no que tange à escolha dos modos de locomoção.
Paralelamente, destaca-se que a utilização de coletivos, como os ônibus, é primordial para retificar o impasse, uma vez que possibilitam a movimentação de maior contingente populacional ao mesmo tempo que ocupam menor espaço relativo no trânsito. Sob essa conjectura, ressalta-se que a deficiente infraestrutura desses meios de transporte, no que tange à qualidade e à quantidade de veículos, impossibilita a efetivação do processo de substituição dos automóveis individuais pelos comunitários. Desse modo, faz-se necessária a intervenção estatal para o estabelecimento de uma infraestrutura ideal dos automóveis coletivos, a fim de que sejam mais utilizados pela população e, desse modo, seja superado o problema de locomoção nas cidades.
Urge, portanto, que ações sejam efetuadas para retificar o impasse. Mormente, cabe ao Governo Federal direcionar investimentos para a veiculação de campanhas nas mídias em prol do uso de veículos não motorizados e, paralelamente, disponibilizar bicicletas em postos de empréstimo nas, com o objetivo de estimular os cidadãos a utilizarem meios alternativos de locomoção e dinamizar a locomoção nas cidades. Ademais, compete ao Ministério do Transporte, munido de recursos federais, disponibilizar maior quantidade de veículos comunitários, adequados estruturalmente, aos cidadãos, com o fito de ampliar o uso desses coletivos em detrimento dos automóveis individuais. Dessa maneira, talvez seja possível superar os problemas de mobilidades urbana no Brasil.