Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 08/08/2018

Segundo Washington Luís, o último presidente do período conhecido como República Velha, “governar é abrir estradas”. Tal afirmação representa a histórica política rodoviarista do Brasil, raiz da atual crise de mobilidade urbana, uma vez que a atenção dada a este tipo de transporte resultou no preterimento dos demais meios de locomoção e, por conseguinte, em seu não desenvolvimento.

Em relação ao acúmulo de investimentos no setor rodoviário, tem-se que este teve início durante o mandato presidencial de Jucelino Kubitschek, que trouxe para o país a indústria automobilística e impulsionou a construção de estradas em detrimento de outros campos, tais quais ferrovias e hidrovias. Desde então, poucas mudanças foram feitas no sentido de corrigir esse quadro, o que resulta em uma logística nacional ineficaz. Visto que os transportes de carga dividem as ruas com um grande número de automóveis individuais, uma combinação que dificulta a circulação e agrava os riscos de acidente.

Em contraste com a Europa, continente cujo transporte é considerado o melhor do mundo, onde pode-se observar uma gradativa redução do número de carros em função da oferta de transportes coletivos de qualidade à preços acessíveis, como metrô, ônibus e trem; o Brasil está andando na contramão. Já que, em virtude dos incentivos oferecidos pelo Governo Federal para a compra de automóveis e a insatisfatória qualidade do transporte público levam os brasileiros a aumentar o número de veículos no trânsito.

Posto isso, faz-se imprescindível que o  Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil direcione parte da verba advinda dos impostos sobre transportes de carga à ampliação da malha ferroviária brasileira, uma solução que chegará à longo prazo, porém será definitiva para a melhor fluidez do trânsito nas rodovias. Ademais, o Governo Federal deve criar uma campanha de conscientização, a ser veiculada nas emissoras televisivas de rede abertas e nas principais mídias sociais, por meio de uma propaganda audiovisual, incentivando o uso de transportes coletivos, a fim de reduzir o número de carros no tráfego e, consequentemente, reduzir os engarrafamentos.