Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 10/08/2018
O futurismo presente nas vanguardas europeias visava demonstrar a velocidade e o automóvel como característicos da sociedade moderna. De fato, tais elementos simbolizam a realidade das metropóles, no entanto, essas encontram-se em caos, visto que o direito de ir e vir dos cidadãos é negligenciado devido a falta de estruturas para garantir a mobilidade urbana.
Primeiramente, é válido apontar que os fatores históricos relacionados ao processo de industrialização brasileiro ocasionaram o êxodo rural, porém, as cidades não possuíam estrututura para a quantidade de indivíduos provenientes do campo, desse modo, houve um processo de urbanização desordenado, no qual a população de maior poder aquisitivo concentrou-se nos centros e os de classes mais baixas foram segregados para a periferia, e como consequência, há o elevado aglomerado de automóveis nas zonas centrais, enquanto os menos abastados possuem dificuldades para se locomover, pois estão demasiadamente afastados. Dessa maneira, cabe evidenciar que os indivíduos sem condições financeiras dependem dos transportes públicos, no entanto, esses encontram-se precários, visto que a quantidade é insuficiente, as passagens são caras e a sua locomoção é demorada.
Nesse contexto, vale ressaltar que os civis influenciados pelas propagandas automobilísticas provenientes da indústria cultural, sentem-se instigados a obter o carro próprio ao invés de depender do transporte público, dessa forma, há um exagerado contingente de veículos nas cidades responsáveis por causar frequentes congestionamentos e instaurar o caos, afinal, tal situação promove estresse aos motoristas, elevando, assim, o índice de violência no trânsito e acidentes. Dessa maneira, o lema positivista defendido por Augusto comte e encontrado na bandeira brasileira de que sem ordem não há progresso é destoado.
Cabe evidenciar, portanto, a necessidade de medidas para errradicar o impasse à mobilidade urbana. Assim, é preciso a ação do Ministério dos Transportes com o Ministério da Fazenda para investir recursos e contratar arquitetos, geógrafos e engenheiros para analisarem o espaço urbano e o reestruturar adequadamente, a fim de evitar congestionamentos, e também, é necessário que ocorram investimentos para modernizar o transporte público, bem como, para facilitar o acesso por meio de passagens mais baratas, com o objetivo de incentivar os cidadãos a usarem menos os carros individuiais. E desssa forma, possibilitar-se-á a ordem para garantir o progresso em um contexto futurista.