Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 14/08/2018

Quando Juscelino Kubitschek ordenou a destruição das ferrovias do Brasil, no final da década de 50, ele pretendia alavancar o setor rodoviário do país. No entanto, ele não imaginava o quão catastrófico isso seria para a mobilidade urbana na contemporaneidade. Indubitavelmente, as ferrovias seriam de grande valia para desafogar o trânsito nas rodovias e vias urbanas, que estão no seu limite de uso, seja pela baixa qualidade do transporte público, seja pela falta de infraestrutura urbana.

Segundo pesquisa realizada pela Universidade de Kyoto, em 2016, apenas 10% da população de Tókyo utiliza automóveis no dia-a-dia, é preferível a locomoção em metrôs ou trens-bala, por conta de sua logística bem empregada, aliada às características do transporte, como conforto e velocidade. Paralelamente, é possível perceber que, no Brasil, a baixa qualidade do transporte público contrasta com a realidade japonesa, pois a população, sempre que possível, opta pelo meio de transporte individual. De certo, existe um baixo custo-benefício do transporte coletivo, uma vez que falta conforto e segurança, porém são cobrados valores abusivos pela passagem, que aumenta periodicamente. Ademais, vale ressaltar que, mesmo com o alto custo de aquisição, manutenção e abastecimento, a alta taxa de emissão de poluentes por usuário e o grande espaço ocupado na via urbana, por usuário, a locomoção em um veículo pessoal ainda é mais atraente do que o transporte público disponibilizado.

Outrossim, destaca-se a falta de infraestrutura urbana como um impulsionador do problema. Inquestionavelmente, quando o planejamento urbano de uma cidade é feito de maneira incorreta, e não há investimento para a criação de alternativas ao uso das rodovias enquanto meio de locomoção, a tendência é que as regiões superpopulosas e com excesso de automóveis sofram com o ‘’inchaço’’ das ruas, gerando congestionamentos diários e que afetam a qualidade de vida da sociedade, como acontece na cidade de São Paulo, onde, segundo o IBGE, o cidadão gasta em média 3 horas por dia no trânsito. Certamente, a criação de uma faixa exclusiva para “circulares” praticamente não onera os cofres públicos, porém pouco se vê a sua implementação, o que mostra uma ineficiência do planejamento urbano municipal.

Desta maneira, os Governos Municipais devem melhorar o transporte público, investindo em novas frotas de ônibus e garantindo conforto aos usuários, com a finalidade de incentivar o uso do transporte coletivo em detrimento do transporte individual, evitando congestionamentos e diminuindo a poluição. Além disso, a Sociedade Civil Organizada deve cobrar das Secretarias de Planejamento dos municípios, a elaboração de projetos que viabilizem as ciclovias, de modo que seja estimulado o uso de bicicletas como transporte, para evitar congestionamentos, poluição e incentivar atividade física.