Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 18/08/2018
Desde 1956, no governo de Juscelino Kubitschek, foi introduzido no Brasil um processo de industrialização acelerada, tendo como um dos seus principais incrementos a vinda de empresas estrangeiras de automóveis. Não obstante, com o incentivo a “cultura do carro”, tal iniciativa serviu como ponto de partida para o impasse da mobilidade urbana presente na atualidade, haja vista a falta de sustentação das cidades, bem como um negligenciamento do transporte coletivo e alternativo. Assim, analisar as vertentes que englobam essa realidade emblemática torna-se imprescindível.
Em uma primeira análise, é factível que a falta de infraestrutura das cidades caracteriza-se como um dos fatores para a imobilidade urbana. Nesse contexto, em consonância com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade é um organismo vivo e necessita que todos os seus órgãos estejam funcionando para seu pleno desenvolvimento.Entretanto, a deficiência no planejamento flexível voltado a mobilidade, como ciclovias alternativas e limitação dos horários de fluxos, corroboram para a inviabilidade do direito de ir e vir da sociedade.Em decorrência disso, percebe-se o quanto a falta de gestão do meio urbano, ratifica os transtornos e engarrafamentos nas cidades brasileiras.
Outrossim, é valido ressaltar também que a falta de suporte do transporte coletivo é igualmente impulsionador dessa problemática. Nesse âmbito, a partir da precariedade do transporte de massa, com modais precários, superlotados, assim como uma limitação da diversidades e adaptação desses aos diferentes espaços urbanos, a exemplo, trens, metros e ônibus, influência a insatisfação dos indivíduos, e consequentemente um crescimento ascendente do número de conduções particulares nas ruas. Essa realidade pode ser verificada no levantamento feito pela NTU, em que mais de três milhões de pessoas deixam de usar diariamente o ônibus como transporte.
É imperativo, portanto, medidas sinérgicas no embate a esse empecilho na sociedade. A priori, cabe ao Governo, em paralelo com o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte, uma reestruturação do espaço urbano, por intermédio de um planejamento individual em cada região, estabelecendo uma logística com novas estradas, viadutos e ciclovias, a fim de adaptar a capacidade e demanda de cada cidade. Acrescido a isso, cabe as regiões metropolitanas, congregado ao Ministério de transportes limitar o fluxo de veículos nos horários de maior concentração, por meio, por exemplo, da diminuição de vagas de estacionamentos, assim como fiscalizar e monitorar o transporte coletivo, com o objetivo de assegurar uma estrutura de qualidade para que a população seja estimulada a usufruir de veículos coletivos, pois, assim, será possível minorar os desafios do tráfego brasileiro.