Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 13/08/2018

Segundo a Constituição Federal brasileira, todo indivíduo tem o direito de ir e vir. Entretanto, nos centros urbanos a falta de mobilidade prejudica tal direito. Um exemplo disso é que, de acordo com dados recentes divulgados pela mídia, o cidadão paulistano passa, anualmente, 45 dias preso no trânsito. Isso acontece, não raro, pela falta de investimento público, pela prioridade dada aos automóveis individuais, entre outros motivos.

Primeiramente, ocorreram no Brasil, no ano de 2013, as “Manifestações dos 20 centavos”, contrárias ao aumento na tarifa do transporte público e suas más condições, porém, pouco foi melhorado depois disso. Atualmente, o transporte público brasileiro ainda não recebe, na maioria das vezes, os investimentos governamentais necessários e que deveriam ser contínuos, e, por isso, apresenta inúmeros problemas: superlotação, atrasos, grande tempo de espera nos pontos de parada, veículos inseguros, falta de manutenção, e alto custo. Além disso, pode-se ressaltar que há pouco investimento em outros modais que não sejam o rodoviário.

Ainda vale lembrar que a maioria da população brasileira prefere optar pelo automóvel particular no cotidiano, visando a praticidade e liberdade de ir e vir, bem como busca evitar a superlotação e falta de segurança das conduções públicas. Dessa maneira, ocorre um notório inchaço no trânsito urbano brasileiro, o qual gera engarrafamentos quilométricos diários nas grandes cidades da nação. Uma comprovação dessa cultura de preferência pelo carro é que, segundo a Federação dos Concessionários (Fenabrave), foram vendidos 1,85 milhão de unidades de automóveis novos no Brasil em 2017.

Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para resolver os desafios da mobilidade urbana no Brasil. A fim de que isso ocorra, é necessário que o Estado direcione mais verbas para o transporte público e sua manutenção, por meio de novos projetos, bem como deve haver maior fiscalização quanto ao possível desvio ilegal dessas verbas. Além disso, é de suma importância que o governo incentive que a mídia, com seu papel influenciador, dissemine, através de mais comerciais televisivos, a ideia da carona solidário no cotidiano dos brasileiros, a qual é sustentável e uma solução para acabar com os engarrafamentos. Ademais, os governos municipais devem instituir o rodízio de veículos e a restrição de tráfego e estacionamento, à exemplo do que já acontece em algumas cidades do país. Afinal, o direito constitucional de ir e vir deve ser respeitado de forma plena.