Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 29/08/2018
Ciclovias, hidrovias, ferrovias e rodovias são apenas alguns do modais que compõem a mobilidade urbana no Brasil. Nesse contexto, na era JK houve maior atenção à rodovia, uma vez que, pela primeira vez, empresas automobilísticas entravam em massa no país continental, favorecendo um tráfego maior e facilidades de locomoção. No entanto, com o crescimento da população brasileira associado ao maior poder de compra, a concentração rodoviária de baixa qualidade tem sido onerosa ao Estado e à população brasileira.
De fato, o Brasil, desde os anos noventa, concentra os seus investimentos no modal rodoviário. Segundo dados do Banco Mundial, cerca de 58% do transporte é feito nessa malha, sendo que 78% da produção do país vê-se obrigada a também utilizá-la. Entretanto, mesmo com esse fato, o país não investe o suficiente para manter a sua qualidade, afirma a Confederação Nacional de Transporte (CNT) com base em dados de 2016. Segundo esse material, 57,3% das rodovias avaliadas apresentavam condições inadequadas de tráfego. Dessa forma, apesar da dependência concentrada em apenas um modal, não há investimentos suficientes para o seu desenvolvimento.
Com efeito, o trânsito brasileiro tem criado vítimas e custado caro aos cofres públicos e ao mercado externo. Na última década o Brasil tem sido considerado o 4º país do mundo a conter maior número de óbitos no trânsito, segundo a OMS; além disso, 32% dessas mortes, em 2016, envolviam motocicletas e 24% automóveis. Nesse contexto, o resultado dessa terra selvagem é o prejuízo de 2,3% do PIB nacional, de acordo com o Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES). Assim, grupos economicamente ativos tornam-se inativos – seja por lesões ou óbitos – levando despesas ao Estado e à diminuição da mão de obra.
Portanto, a concentração na malha rodoviária, além de baixa qualidade, gera prejuízos econômicos e sociais. Nesse sentido, é necessário que o Ministério do Transporte desenvolva projetos que interliguem ferrovias e hidrovias às rodovias. Para isso, é preciso que o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão incentive a presença de empresas privadas, oferecendo segurança jurídica, e adaptando tais modais às necessidades regionais e de relevo. Nesse sentido, cada estado seria responsável por elaborar projetos de infraestrutura de acordo com suas necessidades e entrega-los aos órgãos do governo para ser avaliados. Por meio disso, seria possível diminuir a dependência do transporte automobilístico e, consequentemente, os seus custos. Somente assim é possível tornar o país mais sustentável.